Luan: Esse aí é meu chefe, não meu pai!
E outra, de que ele serviria indo lá?
Não só não ajudaria em nada, como ainda seria repreendido. Ele já conseguia prever a cena do presidente com a cara fechada despejando veneno só sobre ele. Isso mesmo... não descontaria na Heloísa, nem no Helder, só nele.
Ele ajeitou o paletó e se encostou na janela.
"Luan, o que houve? Tá com hipoglicemia?" Helder percebeu que ele estava abatido, tirou um doce do bolso, descascou e colocou na boca dele. "Come, se não for suficiente, tenho mais."
"......"
Luan suspirou.
Heloísa suspirou logo atrás, sem saber até onde Nélio já havia chegado.
Evelyn se aproximou e apoiou a cabeça no ombro de Heloísa. "Heloísa, não se preocupe. O Vance vai ficar com ele o tempo todo, não vai ter problema."
O coração de Heloísa apertou.
Vance vai acompanhar o tempo todo... ficou ainda mais preocupada, como pode!?
Por outro lado, o pai do Vance era um duque, de posição elevada, de fato poderia ser útil... Fazer o quê, o importante é a segurança.
"Heloísa, sua pele é tão bonita, parece de bebê."
Evelyn acariciou suavemente a pele macia do pescoço de Heloísa, e o olhar passou distraidamente pela região mais volumosa.
Heloísa não estava no clima para conversar sobre cuidados com a pele.
Ela respondeu por educação: "Sua pele também é ótima."
"Obrigada." Evelyn sorriu contente, depois bocejou e fechou os olhos. "Estou com sono, vou dormir um pouco encostada em você, Heloísa."
"Tudo bem."
Heloísa concordou.
Ela olhou para fora, a mente cheia de pensamentos.
Cerca de vinte minutos depois, o carro chegou a um hotel.
Heloísa acordou Evelyn.
Em seguida, dois homens de semblante austero os conduziram até o elevador que os levou ao terraço. Lá, um helicóptero já estava ligado, com o vento forte levantando roupas e cabelos.
"Por favor."
O primeiro dos homens sérios fez um gesto educado, e o segundo já aguardava ao lado da porta da aeronave.
Os quatro subiram no helicóptero.
Logo depois, pediram que desligassem os celulares e colocassem vendas nos olhos.
Helder protestou, mas Heloísa o silenciou com um olhar e sussurrou: "Temos que seguir as regras deles, senão não levam a gente. Se não formos, como vamos proteger o seu grande senhor?"
Helder colaborou sem reclamar.
Ao colocar a venda, Heloísa cuidadosamente afrouxou a tira. Como sua cabeça era pequena, a venda ficou um pouco solta.
Ficou uma pequena abertura.
Ela se sentou junto à janela, fingiu cochilar e olhou discretamente para baixo. O helicóptero não estava muito alto, dava para ver parte da paisagem.
Ninguém sabia quanto tempo havia passado.
"O jantar será às sete horas. Por favor, estejam prontos com seus trajes de gala às seis e meia."
O homem austero que os acompanhara até ali disse isso antes de sair.
Assim que ficou sozinho, Luan se jogou no sofá, exausto. "Ai, minhas costas. Que encontro é esse? Carro, helicóptero, charrete..."
"Para de reclamar e olha o horário," Heloísa apontou para o relógio na parede.
Seis horas...
Todos, inclusive os que estavam esparramados ou procurando água, se puseram em movimento.
Tinha só meia hora para se arrumarem.
Enquanto isso, em outro local, Nélio estava diante da janela panorâmica, olhando para o mar ao longe.
Em pouco mais de quatro horas, ela estaria em casa.
Ele se sentia tranquilo.
Mal sabia ele que, naquele instante, ela estava bem perto, correndo para trocar de roupa.
"Nélio Marques, essa cor ficou ótima em você."
Vance saiu do quarto já trocado.
Ao ver Nélio com um terno de veludo lilás, os olhos de Vance brilharam, incapaz de desviar o olhar.
Nélio virou de lado.
Com tom frio e displicente, disse: "Parece até uma berinjela ambulante, não vejo nada de bonito nisso."

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