O pescoço de Heloísa fez um estalo ao se virar. "...Helder, pare de brincadeira. O presidente deve ter seus motivos para organizar tudo assim. Ele tem pessoas muito importantes para ver, precisa encontrá-las sozinho."
Nélio ficou em silêncio por alguns segundos.
Logo depois, comentou, em tom suave: "Sim, a secretária Madeira está certa. Eu realmente tenho pessoas importantes para encontrar, não é conveniente levá-la."
Heloísa respondeu quase sem pensar: "Também não faço questão de ir."
Helder: "..."
Luan, sentado no banco do passageiro, estava concentrado, batendo rapidamente no tablet, fingindo estar extremamente ocupado.
Nélio fechou os olhos, relaxando.
Heloísa virou-se, olhando pela janela.
Luan (pensando): Uma verdadeira guerra fria. Você é frio, eu sou ainda mais. Tão indiferentes!
Helder (pensando): Ai, o que faço, o que faço? Quando é que eles vão se reconciliar?
Chegaram à filial.
O clima gélido finalmente se dissipou, ao menos temporariamente.
O pessoal da matriz e os altos executivos da filial já os aguardavam na porta.
Uma multidão cercou Nélio enquanto ele entrava na empresa.
Após um breve passeio pelas instalações, seguiram para a sala de reuniões para ouvir os relatórios do gerente geral e dos chefes de departamento.
Ouvir aquilo era entediante a ponto de quase adormecerem.
As duas horas da manhã passaram rapidamente, com tudo sendo apenas mera formalidade.
À tarde, Nélio levou Heloísa e Luan ao congresso, enquanto o restante do pessoal da matriz ficou na filial para tratar dos detalhes do trabalho.
Assim que entrava no modo profissional, Heloísa mostrava-se extremamente dedicada.
Tudo que Nélio pedia, ela resolvia imediatamente.
Antecipava até mesmo as necessidades dele; entre os diversos secretários e assistentes presentes, nenhum era tão eficiente quanto ela.
Isso permitia que Luan, satisfeito, até tirasse um cochilo.
Ao vê-los assim, ele até pensou que aqueles dois frios já haviam se reconciliado.
Mas!
Ir ao shopping com ela?
Se alguém soubesse disso, ele estaria encrencado!
Como Luan não respondeu, Heloísa presumiu que ele havia concordado.
Ao se virar, inesperadamente, viu Nélio parado à porta do quarto.
Ele ainda não havia trocado de roupa.
Então era assim que ele iria encontrar aquela pessoa especial, sem sequer tomar banho ou se arrumar um pouco melhor?
"Presidente, vai sair para encontrar um amigo?"
Ela se aproximou e perguntou, sorrindo.
Nélio sentiu o perfume dela, ouviu a voz alegre conversando com Luan. Ela estava tão feliz, mas ao vê-lo, precisou vestir de novo aquele sorriso profissional.
No olhar dele, surgiu um toque de melancolia. "Sim, vou encontrar um amigo. Você e Luan podem passear no shopping e curtir a festa."
Heloísa respondeu com educação: "Então aproveite também."
Nélio: "...Aproveitar? Você acha mesmo que vou encontrar alguém especial, uma mulher, e espera que eu aproveite bastante?"

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