Ele franziu a testa.
Heloísa não foi para o quintal.
Ela não estava vestindo nada por baixo, e mesmo que naquela mansão só estivessem os dois naquele momento, ainda assim sentia-se desconfortável.
Ela passeou por aquela bela casa de vidro.
Uma espreguiçadeira coberta de renda no quintal dos fundos, um brinco de diamante pendurado ao lado do piano, um batom entre as revistas debaixo da mesa de centro...
Não era sua intenção ver aquilo.
Também não eram marcas deixadas de propósito; para falar a verdade, era ela quem havia entrado por engano.
Deveria perguntar?
Ela ficou diante da porta de vidro do chão ao teto, olhando as nuvens lá fora, achando que elas não estavam relaxando, mas pareciam sim umas bobas largadas no céu, esquecidas de como descer...
Pensou um pouco e decidiu deixar pra lá.
Se perguntasse, pareceria que estava levando as coisas a sério. A noite anterior tinha sido agradável, e isso era o suficiente.
Heloísa voltou para a sala de jantar.
Nélio já havia colocado o café da manhã na mesa.
Salada, ovos fritos, pão torrado com geleia, leite.
E ainda um pedacinho de bolo.
"Muito bom." Heloísa sentou-se, mostrando satisfação com o café da manhã.
Pegou a faca e o garfo, cortando pequenos pedaços para comer devagar.
Nélio, porém, não comeu.
Sentou-se do outro lado, apenas olhando para ela.
Heloísa fingiu não notar, mas com o tempo ficou impossível continuar fingindo. Ela tocou o próprio rosto e perguntou: "Por que está me olhando assim?"
"Estava pensando, secretária Madeira, alguém tão esperta, por que não ficou curiosa sobre de onde vieram esses alimentos?"
Nélio a olhou com um olhar límpido.
Heloísa continuou comendo um pedacinho do bolo, respondeu sem dar muita importância: "O que tem de mais? Naturalmente são do dono da casa, seus, ué."
Nélio disse: "Eu sei que não tenho vindo aqui recentemente."
Heloísa riu: "Ontem à noite você veio, não foi? Pediu para a empregada trazer o café da manhã cedo."
Ela mexia no creme do bolo.
"…" Heloísa ficou sem palavras.
Será que se ela tivesse confrontado, perguntado na hora, até dado um tapa nele, ele ficaria feliz?
Por que ele estava tão irritado?
"O que quero dizer é que não vou me meter na sua vida. Mas, sinceramente, pensei que, se você tivesse outra mulher, nosso relacionamento teria que acabar. Não gosto de dividir ninguém, muito menos de disputar com outra."
As têmporas de Nélio pulsavam com força depois do que ela disse.
Ele a chamou com a mão: "Venha aqui."
Heloísa se levantou.
Mas, em vez de ir até ele, saiu em direção à porta: "Vou ligar para mandarem minhas roupas, preciso voltar pra casa."
Ela não andou muitos passos antes de ser carregada nos braços e levada para a sala.
"O que está fazendo, me põe no chão!"
Ela bateu nele.
Enquanto eles se batiam, um carro se aproximou lentamente do portão.

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