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Amor por Acidente - A Stripper e o Bilionário romance Capítulo 87

A exaustão pesava sobre meus ombros como uma âncora, mas, por mais que Teri tivesse insistido para que eu ficasse e descansasse um pouco, dormir era um luxo que eu ainda não podia me permitir. A última vez que me lembrava de ter dormido de verdade foi na outra linha do tempo, envolta nos braços de Nicolas, com sua respiração quente contra minha pele e o conforto absoluto de saber que eu era dele, assim como ele era meu. Agora, tudo aquilo não passava de um borrão distante, um sonho que se dissipava a cada segundo que eu permanecia acordada.

Eu precisava resolver as pendências antes que minha mente desmoronasse por completo. Queria voltar para casa e aproveitar o pouco de normalidade que ainda restava — minha mãe, meus filhos, a sensação de que pelo menos ali, entre eles, eu estava segura.

Entrei no carro da minha mãe, que estava usando emprestado, e segui para o apartamento que dividia com Miguel. Na outra linha do tempo, neste exato momento, ele já saberia que os filhos estavam mortos e que eu estava em coma. Como ele havia reagido? Chorou? Se desesperou? Se culpou? Ou simplesmente seguiu sua vida ao lado de Helena? Eu nunca saberia, mas a verdade é que parte de mim nem queria saber.

Estacionei o carro em uma das vagas de visitantes e, ao desligar o motor, senti um calafrio percorrer minha espinha. Meus olhos se fixaram em um veículo parado na minha vaga habitual.

Um Fiat Mobi roxo.

Meu estômago revirou.

A pessoa que tentou me matar. A pessoa que cortou os freios do meu carro.

Ela estava aqui. No meu apartamento.

Fechei os olhos por um momento e respirei fundo, tentando conter o impulso de sair correndo dali. Não agora, Ayla. Você precisa ver, precisa saber.

Desci do carro e caminhei até o elevador, sentindo cada batida do meu coração reverberar nos meus ouvidos. Minha mão segurou firme a chave dentro do bolso, e quando cheguei à porta do apartamento, girei-a na fechadura o mais silenciosamente possível.

Assim que entrei, os vi.

Helena e Miguel.

Os dois se assustaram ao me ver, afastando-se um do outro rápido demais, como se tivessem sido flagrados fazendo algo que não deveriam.

Interessante.

— Ayla! — Helena praticamente gritou meu nome, correndo em minha direção com um sorriso forçado e abraçando-me apertado. — Graças a Deus!

Miguel também se aproximou, com uma expressão que eu diria ser de alívio, se eu não conhecesse tão bem o homem que ele era.

— Onde diabos você estava?! — Ele exclamou, passando as mãos pelos cabelos. — Tentamos falar com você o dia todo! Eu fui à polícia, aos hospitais…

Pisquei lentamente e, ao invés de responder diretamente, soltei um suspiro cansado e me larguei em uma das cadeiras da mesa da sala.

— Vocês não vão acreditar, mas alguém cortou os freios do meu carro.

O silêncio caiu sobre o ambiente como uma tempestade prestes a explodir.

— O quê?! — Helena ofegou, levando uma das mãos à boca.

Miguel franziu a testa.

— Como assim? Você está bem? As crianças estão bem?

— Sim. Passei a tarde na delegacia, prestando queixa, fazendo perícia e tudo mais. Foi um milagre eu ter percebido antes que algo realmente ruim acontecesse. — Dei um sorriso irônico. — Não foi?

Helena parecia pálida.

— Claro que foi! Meu Deus, eu… eu não sei o que faria se algo acontecesse com você!

Minha mandíbula travou por um instante antes de forçar um sorriso.

— Imagino que daria um jeito.

Helena me olhou, confusa, mas não insistiu.

— Tem certeza de que não desconfia de ninguém? — Miguel perguntou.

— A polícia já prendeu alguém. — Menti sem hesitação. — Aparentemente, não foi nada pessoal contra mim. Só um maluco qualquer.

Helena soltou um suspiro de alívio tão visível que não deixou dúvidas que a sua preocupação toda naquela história não era eu ou as crianças. Era não ser pega.

— Falando em carros… — Cruzei as pernas, jogando um olhar casual pela janela. — Você trocou o seu, Helena? Tem um Fiat Mobi roxo na minha vaga que não reconheci.

— Comigo?

— Bem, você tem um quarto de hóspedes vago e é minha melhor amiga. Em quem mais eu confiaria para cuidar do meu marido além de você?

O silêncio dela foi a resposta que eu precisava.

— Não vejo problema. — Miguel deu de ombros. — Obrigado, Helena.

Ela não protestou.

E então, como quem não quer nada, peguei os papéis que já havia preparado e os entreguei para Miguel enquanto ele começava a fazer as suas malas.

— Aqui.

— O que é isso?

— Documentação da administradora do prédio. — Suspirei. — Já que vamos precisar de reformas estruturais por causa do mofo, um de nós precisa ficar responsável legalmente pela papelada.

Ele folheou rapidamente as páginas, mas sua atenção estava dispersa. Não havia motivos para desconfiar. Quantas vezes, ao longo dos anos, ele e eu assinamos documentos confiando um no outro? Contas bancárias conjuntas, contratos de aluguel, autorizações para as crianças… Era natural. Era o que casais faziam.

— E você já resolveu tudo?

— Sim, mas preciso da sua assinatura para formalizar.

Ele pegou a caneta e assinou sem nem ler.

Controlei meu sorriso.

Era isso.

Miguel estava oficialmente assinando sua própria ruína.

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