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Amor por Acidente - A Stripper e o Bilionário romance Capítulo 86

— Comprar esse prédio? Oferecer o dobro do valor? — Teri me olhava como se eu tivesse acabado de sugerir que viajássemos para Marte. — Você é louca! Eu nem tenho esse dinheiro!

— Você tem uma boa parte guardada no colchão, embaixo da cama... — comecei a falar, mas ela logo me interrompeu, os olhos se estreitando.

— Como você sabe disso?

Cruzei os braços e sorri de lado.

— Nós somos melhores amigas há três anos, Teri. E a proposito: isso não é seguro. Guarde em um banco. E vê se me escuta dessa vez!

Ela suspirou, balançando a cabeça, mas o choque já havia se transformado em mera incredulidade. A essa altura, já havia aceitado que eu sabia mais sobre ela do que deveria.

— Tá bom, gênio do futuro, e como você acha que a gente vai conseguir comprar essa espelunca? Eu até tenho algumas economias, mas não chega nem perto do valor que eu imagino que precisaria.

Fazia sentido. Quando Teri estava disposta a comprar o apartamento para nós duas, ela tinha três anos a mais de economias.

— Nós compramos juntas. — Me aproximei, tentando fazê-la enxergar o que eu via. — Nos tornamos sócias. Eu sei que parece loucura agora, mas escuta: essa região vai se valorizar absurdamente nos próximos anos. Esse prédio vai valer uma fortuna e a gente vai poder pedir o que quiser por ele. Mas antes disso, eu quero garantir que todas as pessoas que moram aqui tenham condições de ter uma vida melhor.

Teri estreitou os olhos.

— Então resolveu começar pela dona Marta?

Soltei uma risada.

— No fundo, ela tem um bom coração.

Teri me olhou como se duvidasse, mas riu junto comigo.

O silêncio que se seguiu foi diferente. Um desconforto quase palpável.

Eu o quebrei primeiro:

— Você lembra mesmo de mim? Quero dizer... você sente que me conhece?

Ela mordeu o lábio, pensativa, e então suspirou.

— Mais ou menos. É como se você fosse um... — Ela hesitou, buscando a palavra certa, e eu ergui uma sobrancelha. — Uma assombração inconveniente.

— Uma assombração inconveniente? — repeti.

— Mais ou menos isso. Tipo um fantasma irritante que me persegue em sonhos.

Engoli em seco.

— Em sonhos?

Teri assentiu, o olhar perdido por um instante.

— Sim. Eu tenho sonhos muito reais. Com fragmentos de uma vida que nunca aconteceu. Tipo quando você falou do incêndio mais cedo... Eu já sonhei com isso. E o mais estranho é que era como se eu tivesse vivido aquilo. — Ela riu de leve. — E eu estava com um cliente tão gato naquele momento.

O riso me escapou antes que eu pudesse evitar.

— Ricardo.

Ela arregalou os olhos.

— Ele realmente existe?!

— Você só pode estar brincando. Eu não sei nada de balé.

— Falo sério! — Cruzei os braços. — Você vai me ajudar na administração, nas finanças, no marketing...

Ela me olhou por um longo momento, como se tentasse enxergar minha sanidade.

— Você quer que eu largue tudo para abrir um estúdio de balé? E como exatamente a gente vai fazer isso? Você conhece algum bilionário que vai bancar tudo isso?

Sorri devagar, inclinando a cabeça para o lado.

Bilionário.

Era impossível não pensar em Nicolas.

Eu queria ir atrás dele. Cada fibra do meu corpo gritava para eu correr até ele, agarrá-lo pelo colarinho e dizer: “Oi. Somos o amor da vida um do outro, passamos a noite juntos ontem — só que em outra linha do tempo — e você me deu um anel, lembra? Ah, e também me prometeu uma vida inteira ao seu lado, mas agora… bem, você não faz ideia de quem eu sou.”

Sim, excelente plano. Isso não soaria maluco nem um pouco.

Soltei um suspiro pesado. Eu precisava ser racional. Eu precisava reestruturar algumas coisas antes de procurar por Nicolas. Porque, sejamos honestos, no estado atual das coisas, se eu aparecesse do nada dizendo que ele estava destinado a ficar comigo, era mais provável que ele chamasse um psiquiatra do que se apaixonasse por mim. E isso, definitivamente, não era o ideal.

— Não, Teri, nenhum bilionário. Não ainda. Mas eu tenho um plano.

— E esse plano, por acaso, envolve ganhar na loteria? Porque eu me lembro de você dizendo que não se recorda dos números.

Me aproximei mais dela e sussurrei:

— Não. Envolve vingança.

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