~NICOLAS~
O sol filtrava-se entre as folhas altas das árvores, criando padrões dourados no chão de terra batida. A brisa fresca da manhã ainda carregava o cheiro da chuva da noite anterior, e o mundo ao nosso redor parecia novo, mais vivo. Mas nada parecia mais vivo do que a mulher ao meu lado.
Ayla se espreguiçou ao sair da barraca, vestindo minha camisa por cima do biquíni. Seus cabelos estavam bagunçados, e o rosto ainda trazia os vestígios do sono, mas nunca a vi tão bonita quanto agora, despenteada, com as marcas da noite passada ainda visíveis na pele.
— Meu corpo inteiro dói… — murmurou.
Minha risada foi baixa, puxando-a contra o meu peito para matar as saudades que eu já sentia dela.
— Isso quer dizer que eu fiz um bom trabalho.
Ela ergueu a cabeça apenas para me dar um tapa fraco no ombro antes de se esticar, fazendo uma careta ao sentir os músculos protestarem.
— Arrogante… Eu estava falando do colchão.
— É claro que estava — digo, um pouco irônico.
Ela cora e logo trata de mudar de assunto.
— Eu me recuso a fazer qualquer coisa antes do café — anunciou, cruzando os braços.
— Isso é um problema… porque eu não trouxe café — respondi, prendendo um sorriso.
Ela congelou e virou-se para mim, com um olhar de puro choque.
— Como assim você não trouxe café?
— Achei que um banho no lago te despertaria melhor do que cafeína.
Ela bufou, estreitando os olhos.
— Eu devia te odiar por isso.
— Mas você não consegue.
Ela lançou um olhar de desgosto forçado, mas a sombra de um sorriso apareceu no canto de seus lábios. E foi assim que, poucos minutos depois, estávamos na beira do lago, a água cristalina refletindo o céu azul.
Ela foi a primeira a mergulhar, afundando sem hesitação, e eu a segui logo em seguida. A água fria despertou todos os meus sentidos e fez meu corpo lembrar, da melhor forma possível, dos acontecimentos da noite passada. Ayla emergiu com um suspiro e afastou os cabelos molhados do rosto, e eu soube que estava condenado. Porque olhar para ela naquele instante me fez perceber que eu nunca mais conseguiria voltar a vê-la como antes.
— Que tal uma aposta? — Ayla sugeriu de repente, um sorriso travesso se formando em seus lábios.
Eu ergui uma sobrancelha, já esperando por algo completamente insano vindo dela.
— Uma aposta?
Ela inclinou a cabeça, os olhos brilhando de malícia.
— Se eu ganhar, você me deve uma massagem. Mas uma de verdade, nada dessas desculpas esfarrapadas só pra pegar em mim.
Cruzei os braços, contendo um sorriso.
— E se eu ganhar?
— O que você quiser.
Meu olhar escureceu com a promessa implícita. Ela percebeu, mordendo o lábio, e eu soube naquele instante que não havia nenhuma chance de eu recusar aquilo.
— Feito. — Afirmei. — Mas qual vai ser o desafio?
— Quem chegar primeiro até aquela pedra lá no meio do lago, vence.
Desviei o olhar na direção da pedra que ela apontava. A distância não era absurda, mas o suficiente para fazer com que a corrida fosse interessante. Ayla já tinha começado a alongar os braços, se preparando, e eu apenas ri baixo.
— Você tem certeza disso?
— Absoluta.
— Você não tem nenhuma chance contra mim.
— Isso é o que veremos. — Ela piscou. — No três?
Assenti, já me posicionando.
— Um… dois… três!
Ayla mergulhou na água antes mesmo de terminar a contagem, e eu a segui um segundo depois, deslizando pela superfície com braçadas firmes. Como eu previa, comecei a ultrapassá-la em poucos segundos. O corpo dela se movia rápido, mas os movimentos eram mais curtos, menos eficientes do que os meus.
Eu estava prestes a vencer quando, de repente, ela parou.
— Merda! — ela soltou, agitando uma das pernas. — Cãibra!
No mesmo instante, dei meia-volta.
— Ayla?
Ela manteve a expressão tensa, tocando a panturrilha como se estivesse com dor.
— Eu sabia que não devia ter vindo correndo até o lago. Isso me deixou vulnerável…
Nadei até ela rapidamente.
— Deixa eu ver. Consegue apoiar na minha mão?
Ela se inclinou levemente, e assim que minha atenção estava completamente focada nela, Ayla soltou um sorriso vitorioso e disparou para frente.
— Ei! — gritei, percebendo o truque.
Inclinei a cabeça, fingindo considerar a questão.
— Você pode posar para mim.
Ela riu.
— Não sei se sou um bom tema para fotografia.
— Não existe algo mais interessante para fotografar do que você.
O rubor tingiu suas bochechas, mas ela não desviou o olhar.
Mais tarde, enquanto recolhíamos algumas coisas do acampamento, percebi que Ayla se afastou um pouco. Meu olhar a encontrou no meio de um espaço aberto, os pés descalços na grama.
E então, como se estivesse sozinha, ela começou a se mover.
Seus passos eram graciosos, os movimentos fluindo como água, um reflexo instintivo de algo que fazia parte dela.
Ela estava dançando.
Não havia música. Apenas o som do vento, o farfalhar das folhas, o leve chiado das brasas que ainda queimavam.
Ela girou sobre os próprios pés, os cabelos acompanhando o movimento, o corpo curvando-se de um jeito quase hipnótico.
Ela estava perdida naquele momento, sem notar que eu a observava.
Sem conseguir evitar, alcancei minha câmera e a levei ao rosto.
O clique do obturador cortou o ar.
Ela parou de repente, os olhos encontrando os meus.
— Você… — começou, respirando um pouco mais rápido.
— Continue — pedi.
— Eu estava só…
— Dançando. — Sorri. — E estava lindo.
O rubor subiu por seu pescoço.
— Você me assusta às vezes.
— Por quê?
— Porque você me vê. Mesmo quando eu mesma esqueço de me enxergar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor por Acidente - A Stripper e o Bilionário
Como vários livros desta plataforma nao6twm o final...
Libera todos os capítulos...