O som insistente das notificações no meu celular me arrancou do sono. Pisquei algumas vezes, tentando me situar, antes de esticar a mão para pegar o aparelho ao lado da cama. Era uma mensagem de Nicolas.
“Estou te esperando na entrada do seu prédio. Quer tomar um café comigo? Já que estou por perto…”
Franzi a testa, relendo a mensagem duas vezes. Por perto? A ideia de Nicolas Sartori simplesmente circulando pela vizinhança às oito da manhã parecia absurda. Sentei-me na cama, ainda tentando acordar direito, quando Teri, apareceu na porta do quarto com uma xícara de café na mão, provavelmente curiosa pela movimentação.
— O que foi? Está com essa cara de quem viu um fantasma. — Ela perguntou, curiosa.
— Nicolas está me esperando lá embaixo. Quer tomar um café comigo. Disse que estava por perto. — Respondi, sem conseguir disfarçar a estranheza na minha voz.
Teri arqueou uma sobrancelha antes de soltar uma gargalhada.
— Por perto? Ah, claro! Aposto que atravessar a cidade só para tomar café aqui pelos nossos lados é algo que ele faz todos os dias. — disse, irônica.
Revirei os olhos, já esperando a provocação.
— Pelo menos foi o que ele disse. — Respondi, pegando uma escova para domar meu cabelo.
Teri cruzou os braços, ainda se divertindo às minhas custas.
— E que motivos um homem como Nicolas teria para estar aqui às oito da manhã? — Provocou.
Soltei uma risada curta.
— Não sei, talvez ele tenha decidido explorar as maravilhas do lado pobre da cidade. Agora deixa eu me arrumar. — Retruquei, já me apressando.
Em poucos minutos, desci até a entrada do prédio. Nicolas estava encostado no carro de luxo, impecavelmente vestido, como se tivesse saído direto de um editorial de moda. Ele me observou se aproximar com aquele olhar atento e intenso de sempre. Cruzei os braços e disse, em tom de brincadeira:
— Se continuar aparecendo assim, com esses carrões, os moradores vão começar a achar que sou uma garota de programa.
Esperei que ele risse da piada, mas ele não achou graça. Pelo contrário, sua expressão ficou séria. Ele se aproximou e, sem pressa, arrumou uma mecha do meu cabelo, deslizando os dedos levemente antes de falar:
— Não gosto de ouvir você falando assim de si mesma.
Meu coração acelerou com a proximidade, e por um momento, perdi a resposta afiada que sempre na ponta da língua. Para disfarçar o desconforto, dei um passo para trás e soltei, de forma leve:
— Bom, agora sou oficialmente desempregada. — Brinquei, tentando aliviar o clima.
Nicolas apenas abriu a porta do carro para mim, indicando que eu entrasse. Suspirei e aceitei. Assim que ele se acomodou no banco do motorista, ligou o carro e perguntou:
— Não conheço nada por aqui. Onde podemos ir?
— Tem uma confeitaria charmosa por aqui, mas não sei se faz muito o seu estilo. — Respondi, observando sua reação.
Ele deu de ombros.
— Me surpreenda. — Disse, deixando que eu o guiasse.
Minutos depois, nos acomodamos em uma mesa perto da janela da pequena confeitaria. O aroma doce de pães recém assados e café fresco preenchia o ambiente, tornando o lugar ainda mais aconchegante. Fizemos os pedidos, eu escolhi um café com leite e um pedaço de bolo de limão, enquanto Nicolas, após um breve olhar indeciso para o cardápio, optou por um expresso e um croissant simples. A cena era quase surreal: Nicolas Sartori, em seu impecável terno sob medida, sentado em uma confeitaria modesta, destoando completamente do ambiente, mas, de alguma forma, parecendo confortável ali.
A conversa começou de forma descontraída, com ele comentando sobre Amélie e seu entusiasmo com a aula improvisada que eu tinha dado.
— Amélie não parou de falar de você. Passou a noite toda repetindo o passo que você ensinou. Acho que agora acha que é uma bailarina profissional.
Sorri com carinho ao imaginar a empolgação da menina.
— Ela é um amor. E tem talento. Se for treinada adequadamente, pode se tornar uma ótima bailarina um dia. — Comentei, tomando um gole do meu café.
Nicolas me observou por um instante antes de falar:
Mordi o lábio, tentando encontrar uma saída para essa conversa.
— Eu nem me lembro mais como é dar aulas para crianças. Eu segui outro caminho, Nicolas. E nenhum pai em sã consciência deveria deixar alguém como eu perto da filha. — Soltei, num tom mais duro do que pretendia.
— Por causa do acidente? Ayla, você sabe que isso não tem nada a ver. — Ele retrucou, sério.
Fechei os olhos por um segundo, antes de soltar, irritada:
— Hoje em dia eu danço tirando a roupa.
A forma como falei, carregada de ressentimento, fez com que o silêncio se instalasse entre nós. Não era uma mentira. Mas boa parte da minha negativa é porque Amélie tinha a idade muito próxima da idade que Manuela tinha quando... quando ela se foi. Eu não conseguiria lidar com isso.
Nicolas não desviou o olhar, mas percebi sua expressão mudar, como se estivesse escolhendo bem as palavras antes de responder.
— Você é muito mais do que Nyx. Mas precisa acreditar nisso. Porque se você mesma não enxergar, ninguém vai te convencer do contrário. — Ele disse, a voz baixa, mas firme.
Antes que eu pudesse responder, uma voz feminina e sofisticada interrompeu.
— Nicolas? Que coincidência. — Uma mulher extremamente elegante, com cabelos perfeitamente cortados na altura dos ombros, parou ao lado da nossa mesa.
Ao seu lado, reconheci Ricardo, o primo de Nicolas que nos recebeu na reunião da empresa. Nicolas se recostou na cadeira, claramente contrariado.
— Muita coincidência, não é mesmo? — Ele disse, sem esconder o desagrado e a ironia.
A mulher, no entanto, parecia despreocupada. Com um sorriso descontraído, puxou a cadeira ao meu lado e se sentou sem cerimônia.
— Sofia Sartori, irmã do Nicolas. — Ela disse, antes de me puxar levemente para dar dois beijinhos no rosto. — Você deve ser a namorada dele.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor por Acidente - A Stripper e o Bilionário
Como vários livros desta plataforma nao6twm o final...
Libera todos os capítulos...