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Amor por Acidente - A Stripper e o Bilionário romance Capítulo 61

~NICOLAS~

Assistir às gravações era como rasgar uma ferida que mal havia cicatrizado. Estávamos sentados no escritório da minha casa, Ayla ao meu lado, a respiração curta enquanto os vídeos do momento do acidente passavam na tela. A cada segundo que se desenrolava, o ar ficava mais pesado, como se a dor daquele dia voltasse para nos assombrar.

Ayla segurava a borda da mesa com força, os dedos pálidos. Quando o carro dela apareceu na tela, acelerando antes de bater no meu, girando descontroladamente e colidindo violentamente conta o poste, ela quase perdeu o controle. Seus ombros começaram a tremer, e ela cobriu a boca com a mão, como se estivesse tentando conter um grito. Olhei para ela, sentindo o mesmo desconforto ao ver as imagens. Não era fácil para mim também. Ver meu próprio carro desviando às pressas, meu irmão fugindo do local em pânico, era como reviver a pior decisão que já tomei ao não bater de frente com ele naquele dia mais cedo.

— Como você conseguiu essas gravações? — Ayla perguntou, a voz carregada de tristeza.

— Um contato meu — respondi, evitando encará-la. Não queria que ela visse a culpa estampada em meus olhos. Tinham sido as imagens que dei um jeito de fazer com que desaparecessem na época. Ninguém podia saber que era Enrico Sartori quem estava no volante.

Ela assentiu lentamente, mas logo balançou a cabeça.

— Não há ninguém me seguindo ali... Não acho que essas imagens vão nos levar a nada.

Concordei em silêncio. Não havia o que extrair. Decidimos, então, mudar de estratégia e passamos para as imagens do prédio dela e da escola das crianças, gravações que eu tinha conseguido com alguns contatos e muito dinheiro.

Quando a última imagem das crianças apareceu na tela, Ayla não aguentou. Lá estavam elas, sorridentes, entrando no carro sem ideia do que as esperava. Lágrimas escorriam pelo rosto de Ayla, e ela murmurou:

— Eu não quero mais continuar com isso.

Estava prestes a encerrar tudo quando algo chamou minha atenção. Um carro — um Fiat Mobi roxo — estacionado logo após o carro de Ayla. A imagem tremia levemente e, quando voltava ao foco, o carro havia desaparecido.

— Olha aqui — apontei para a tela, interrompendo o movimento de fechar o vídeo. — Se passaram quase dez minutos... Essa gravação está incompleta.

Ayla franziu o cenho e se inclinou para olhar mais de perto.

— Você acha que foi nesse momento? Foi ali que cortaram o freio?

Assenti, analisando as imagens com mais cuidado.

— Faz sentido. Você não teve problemas enquanto dirigia de casa até a escola. Só aconteceu depois.

Ela levou a mão ao rosto, os olhos marejados novamente.

— Então não era só contra mim... — murmurou, a voz trêmula. — A pessoa sabia que as crianças estariam no carro.

Antes que eu pudesse responder, a porta do escritório se abriu, e Amélie entrou com um passo firme, cruzando os braços.

— Papai, você prometeu me levar para a aula de balé. Eu não quero me atrasar!

— Estou terminando de salvar um trabalho no computador, meu amor, e já vamos, prometo — falei com um sorriso, tentando acalmá-la.

Ayla, se inclinou suavemente em direção à minha filha, com um sorriso acolhedor nos lábios. Sua voz era calma, quase como se quisesse trazer um pouco de leveza ao momento carregado.

— E como estão indo as aulas de balé, Amélie? Está gostando? — perguntou, sua curiosidade genuína brilhando em seus olhos.

— Muito! — ela respondeu, animada, balançando a cabeça com força.

— Mostra pra gente algo que você aprendeu? — Ayla pediu com suavidade.

Amélie sorriu, girando nos calcanhares para demonstrar um pequeno plié. Ayla aplaudiu com entusiasmo.

— Muito bom! Já aprendeu o pas de chat? — perguntou, provavelmente citando algum movimento básico, mas que eu desconhecia.

Amélie balançou a cabeça negativamente, franzindo o nariz.

— Não ainda...

Ayla se levantou, sorrindo.

— Deixa eu te ensinar. É mais fácil do que parece.

Ela ajudou Amélie a posicionar os braços e corrigiu a postura com delicadeza. Tentaram uma, duas, três vezes até que, finalmente, Amélie conseguiu. Ela bateu palminhas animada, rindo alto.

Quando chegamos, Ayla permaneceu no carro enquanto levava Amélie para a aula. Quando voltei, ela me esperava pensativa.

— Então Amélie ainda tem aulas com Helena — comentou.

— Não poderia tirar isso dela. Mas cancelei as aulas particulares. Agora são só as da academia — expliquei.

Ayla suspirou, o olhar distante.

— Era aí que eu costumava dar aulas. Helena era minha melhor amiga até o dia que decidiu roubar tudo de mim: os alunos, o marido, a vida... E agora parece que quer roubar você também

Surpreso, ergui uma sobrancelha, permitindo um sorriso discreto.

— Então eu sou seu para ser roubado?

O rubor subiu imediatamente pelo rosto dela.

— Não foi isso que eu quis dizer.

Alcancei sua mão, apertando-a levemente.

— Não se preocupe, Ayla. Isso não vai acontecer.

Ela desviou o olhar, mas deixou escapar um sorriso pequeno.

— Quero retribuir o convite para a apresentação da Amélie. Sábado, os moradores do prédio vão fazer um churrasco de despedida. Eu adoraria que você fosse.

— Não acho que seria bem-vindo — comentei, cruzando os braços.

— Ninguém vai saber quem você é... Só eu. E, para mim, você sempre será bem-vindo.

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