Ele se aproximou de Henrique e disse lentamente:
"Sr. Oliveira, olá."
Henrique olhou para ele e também o reconheceu como o homem que foi resgatado naquele dia no País S.
Na época, quando os três foram retirados dos escombros, esse homem foi o que sofreu os ferimentos mais leves.
Ele ainda se lembrava de que foi Shirley quem o empurrou para debaixo da cama de aço, evitando que ele fosse esmagado por uma grande quantidade de detritos.
Henrique não tinha uma boa impressão dele, então sua expressão não era das melhores.
"Quem é você?"
"Sou o superior direto de Mário Resende, o delegado Alexandro."
Mário, esse nome era muito familiar para Henrique.
Sua mãe, Verônica Oliveira, o repetia em seus ouvidos por mais de vinte anos.
Seu pai, o marginal que foi espancado até a morte pela Família Oliveira, com uma morte terrível, se chamava Mário.
Mas ele olhou para o homem à sua frente, ouviu sua apresentação e, por um momento, não entendeu o que significava.
Superior direto?
Delegado?
Henrique realmente não sabia como essas duas palavras poderiam estar ligadas a um marginal.
Ele olhou para Alexandro, confuso e perplexo, achando que ele havia se enganado de pessoa.
Antes que ele pudesse falar, Alexandro continuou:
"Isso mesmo, seu pai, Mário. Eu era seu superior direto e seu contato."
As palavras de Alexandro fizeram Shirley, que estava prestes a sair, parar instintivamente.
Ela entendeu a verdadeira identidade do pai dele antes mesmo de Henrique.
"Seu pai, Mário, era um agente infiltrado da Interpol no cartel de Fidel."
As palavras de Alexandro confirmaram a suspeita de Shirley.
Ela virou a cabeça bruscamente na direção de Henrique. Ele estava paralisado, seu rosto antes indiferente agora tomado pelo choque e pela incredulidade.
"A identidade dele foi descoberta por Fidel. Nossos agentes foram enviados para o resgate, mas já era tarde demais. Depois, seu corpo foi encontrado em águas internacionais. Por razões de sigilo, a identidade de seu pai não foi divulgada oficialmente."
Pelas palavras de Alexandro, eles entenderam a verdadeira causa da morte do pai de Henrique.
Fidel, ou mais precisamente, a organização criminosa da Família Ibarra, tinha uma rede de contatos complexa no país e no exterior.
O pai de Henrique, Mário, era um agente da Interpol na época, enviado para se infiltrar na organização de Fidel e coletar provas.
No entanto, ele foi descoberto, espancado até a morte pelos homens de Fidel e jogado em águas internacionais.
Mais tarde, Alexandro, ao participar de outras missões internacionais, ficou gravemente ferido e em coma. Passou por várias missões secretas e não teve tempo de cuidar do caso de Mário.
Mas foi ele quem enviou Mário, e ele era o único contato.
Sem sua comprovação, ninguém poderia provar a identidade de Mário como agente infiltrado.
Quando ele "desertou", foi alvo de insultos e incompreensão de muitos colegas e amigos de classe.
Quem diria que a injustiça de anos atrás só seria reparada vinte e seis anos depois.
"Lamento muito, chegamos tarde."
Alexandro pediu desculpas a Henrique.
"O mérito e a contribuição de seu pai não serão esquecidos."
Depois de falar, Alexandro olhou para Henrique com uma expressão complexa, com muitas coisas não ditas em seus olhos.
"Colega, entregue-se."
Ao ouvir Shirley chamá-lo de "colega" novamente, os olhos escuros de Henrique brilharam por um instante imperceptível, mas logo se apagaram ao ouvir o que ela disse.
"Entregue-se. Será uma forma de prestar contas às pessoas inocentes que morreram em vão e também ao seu pai."
Shirley não conseguia encontrar palavras de consolo, nem sabia como consolar Henrique.
Embora seu pai fosse um grande homem, isso não apagava as coisas que Henrique fez por seus próprios desejos egoístas.
"Impossível, eu não vou me entregar."
Henrique balançou a cabeça, recusando firmemente.
Ele se aproximou um pouco mais de Shirley, sua mão segurando gentilmente o braço fino dela, com medo de machucá-la, com uma força leve.
Seu olhar no rosto dela era triste e pesaroso, com um toque sutil de nostalgia.
"Eu sei que você já contou tudo ao vovô e ao tio. A polícia também já deve saber, só está sem provas, certo?"
Seu tom era suave, e sua mão afastou gentilmente os cabelos que cobriam os olhos de Shirley, enquanto ele sorria.
"Não adianta, minha colega. Eles não vão me pegar. Enquanto eu não for condenado, estarei limpo e não mancharei a honra do meu pai."
Seu olhar tinha um toque de loucura, que assustou um pouco Shirley.
"Nana, de agora em diante, não vou mais te chamar assim. Desculpe por sempre ter ido contra a sua vontade."
Dito isso, ele retirou a mão do braço de Shirley, com um sorriso amargo. "Adeus."
Após dizer essas duas palavras, ele se virou e foi embora.
Shirley ficou parada, observando silenciosamente as costas de Henrique.
Por alguma razão, naquele momento, as costas de Henrique transmitiam a ela um sentimento de despedida final.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor Perdido na Avalancha O Fim Sem Renovação
Estou amando esta história...
Gente da pra protegei parou no cap ?...
Linda história pena q a mocinha sofre muito....