Era novamente o fim do ano.
Embora a véspera de Natal ainda não tivesse chegado, o clima festivo de fim de ano já pairava no ar.
Todas as famílias começavam a grande limpeza anual, faxinando a casa inteira.
Dentro e fora dos condomínios, e ao longo das ruas, lanternas de um vermelho vivo e vibrante eram penduradas, preparando tudo para a chegada da véspera de Natal.
Enquanto isso, longe dali, na Alemanha, Shirley Braga continuava sua árdua batalha no laboratório.
Naquela época, o instituto de pesquisa e a universidade ainda não estavam de férias, mas o bairro brasileiro onde ela morava já estava todo decorado e iluminado, preparando-se para o Ano Novo.
"Shirley, daqui a dois dias é o Ano Novo no Brasil. O instituto dará dois dias de folga, você poderá comemorar com seus conterrâneos."
"Obrigada, professor."
Shirley estava cheia de energia. O projeto em que estava trabalhando tinha uma previsão original de conclusão para dois anos, mas como ela passava dias e noites imersa no trabalho no laboratório, conseguiu reduzir o cronograma pela metade.
Até mesmo seus colegas de equipe no laboratório foram contagiados por sua dedicação e sentiam-se constrangidos em relaxar ou procrastinar.
Como resultado, era muito provável que o projeto fosse concluído um ano antes do previsto.
Dois dias antes, seus pais, o casal de doutores Braga, haviam lhe contado que já tinham comprado as passagens para a Alemanha e que trariam General e Nana para passar o Ano Novo com ela.
Coincidentemente, hoje ela terminaria a análise dos dados experimentais em mãos e poderia voltar para casa para começar os preparativos.
Com a considerável quantia de bens que recebeu de Gilson Oliveira após o divórcio, Shirley usou metade para financiar sua pesquisa, mas sem deixar de cuidar de si mesma.
Ela comprou um pequeno chalé no bairro brasileiro. Os chalés na Alemanha não eram caros, e este ficava perto do laboratório. Além disso, morar no bairro brasileiro a fazia sentir-se mais em casa.
Naquele ano, a administração do seu bairro brasileiro organizou especialmente um evento de confraternização para o Ano Novo dos brasileiros.
Shirley voltou para casa, trocou de roupa por um conjunto casual, vestiu uma jaqueta de plumas leve e saiu.
No local do evento, havia muitas barracas vendendo produtos típicos de Ano Novo do Brasil.
Havia lanternas de todos os tipos, dísticos caligrafados com diferentes estilos de escrita e muitas outras atividades comemorativas.
Na maior pista de hóquei no gelo, no centro do local, estava acontecendo uma apresentação da dança do dragão.
Os artistas, usando patins de gelo e trajes de performance, seguravam um dragão gigante meticulosamente confeccionado e moviam-se rapidamente pela pista.
"Boa!"
"Lindo!"
"Incrível!!"
Os aplausos e aclamações ecoavam sem cessar.
Enquanto observava, os olhos de Shirley umedeceram involuntariamente.
"Gilson, se ao menos você pudesse ver isso também."
Ela baixou o olhar e sussurrou para si mesma.
Há um ano, ela deixou o Brasil e veio para o centro de pesquisa onde estava agora.
Por um lado, para aprender técnicas de neurocirurgia; por outro, para investir o dinheiro que recebeu de Gilson no instituto, na esperança de desenvolver um tratamento que pudesse dissolver coágulos sanguíneos no cérebro humano que o corpo não conseguia absorver.
Se o tratamento fosse bem-sucedido, Gilson não precisaria enfrentar os riscos de uma cirurgia e a ameaça de morte por complicações.
Sim, antes de deixar o Brasil, ela já sabia que Gilson não podia mais enxergar.
Suas ações e gestos eram anormais demais.
Mesmo que ele se esforçasse para que ela não percebesse nada, o olhar sem foco em seus olhos era algo que não se podia fingir.
Para confirmar sua suspeita, ela procurou seu antigo colega, o Dr. Ferreira, e pediu o prontuário de Gilson.


Ao voltar a si, percebeu que seu rosto estava frio e úmido; lágrimas haviam escorrido sem que ela notasse.
Ela enxugou as lágrimas com as mãos, recompôs-se e comprou lanternas, dísticos e outras decorações de Ano Novo antes de voltar para casa.
O pequeno chalé que comprou vinha com um jardim de 100 metros quadrados.
Quando a pressão do laboratório era grande, ela plantava flores de todas as cores naquele jardim.
No inverno alemão, as temperaturas eram muito baixas.
As poucas árvores de cerca de três metros de altura no jardim agora eram apenas galhos secos.
A neve branca caía sobre os galhos, o telhado e a cerca do jardim, envolvendo todo o chalé em tons de branco e cinza, criando uma atmosfera única.

Shirley sentou-se no tapete e, seguindo um tutorial de um vídeo curto, começou a recortar decorações de papel para a janela.
Sem que percebesse, o crepúsculo chegou.
No jardim, a árvore de Natal montada na época natalina acendeu automaticamente suas luzes coloridas com sensor de movimento.
Shirley estava prestes a se levantar para acender a luz quando a campainha tocou.
Ela se apressou para abrir a porta.
"Tia Costa, a senhora..."
No instante em que abriu a porta, uma figura alta diante dela bloqueou sua visão.
O cheiro familiar inundou instantaneamente suas narinas, deixando-a completamente paralisada.
***

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor Perdido na Avalancha O Fim Sem Renovação
Estou amando esta história...
Gente da pra protegei parou no cap ?...
Linda história pena q a mocinha sofre muito....