Alguém logo mandaria ele direto para o outro mundo!
Hadassa Barbosa, que também percebeu o pensamento da vovó Serra, achou graça da situação.
— Vó, a senhora me chamou aqui por mais algum motivo? — ela perguntou.
— Nada importante — respondeu vovó Serra. — É que uma velha amiga minha falou que vai mandar o neto vir me visitar. Fiquei pensando que, com a diferença de idade, talvez não tivéssemos muito assunto, então te chamei para me ajudar a receber o rapaz. Você não ficou chateada, ficou?
— De jeito nenhum — Hadassa Barbosa respondeu, com um sorriso suave.
Vovó Serra ficou satisfeita.
— Então faça esse favor para sua avó e receba bem o Carlos, está bem?
Hadassa Barbosa ficou sem palavras.
Ela poderia dizer não?
Claro que não queria decepcionar o carinho da senhora.
— Na verdade, também tenho algumas dúvidas sobre medicina que gostaria de tirar com a Dra. Barbosa — disse Carlos Castro, tentando aliviar o clima.
— Pode perguntar, Sr. Castro.
— Ih, vocês dois falando Dra. para cá, Sr. para lá… Vocês são jovens, podem se chamar pelo nome mesmo! — interrompeu vovó Serra.
Os dois ficaram constrangidos.
Vó, não dava para ser mais direta?
Nesse momento, o telefone de Hadassa Barbosa tocou.
Era Kauan Serra.
Naquele horário, Hadassa não se incomodou de atender.
— Alô?
— Por que ainda não chegou no escritório?
— Precisei resolver uma coisa, já estou indo.
Desligando, ela disse:
— Desculpa, vó, preciso ir trabalhar.
Agradecia a gentileza da senhora, mas não pretendia participar desses encontros disfarçados de amizade!
— Pode ir.
Os dois jovens já tinham se encontrado, então vovó Serra considerou sua missão cumprida.
— Troquem os contatos, vocês dois. Carlos, já que está na cidade, a Hadassa conhece tudo por aqui, pode te mostrar.
— Claro — respondeu Carlos Castro.

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