Júlia observou Juliano e Sérgio em silêncio.
Independentemente de qualquer coisa, ela ainda era a esposa de Sérgio.
Quando estava em público, Júlia sempre zelava pela imagem do marido. Jamais diria algo como 'Eu sou a esposa do Sérgio, quem você acha que é para me dar lição de moral?'.
Gerenciar subordinados era papel de Sérgio, o chefe.
Mas Sérgio limitou-se a lançar-lhe um olhar indiferente:
— Júlia, você me decepcionou muito.
O coração de Júlia estremeceu. Até o efeito do álcool que bebera no jantar pareceu evaporar.
Ela tinha certeza de que nunca fizera nada contra Sérgio, e ainda assim, recebia um 'decepcionou muito' como julgamento.
Aos olhos dele, ela valia menos que um assistente.
O rosto de Juliano mudou ligeiramente.
Clarice, porém, cruzou os braços e esfregou os ombros, atuando:
— Sérgio, está tão frio aqui. Considerando que fui eu quem comprou este seu paletó, não seria pedir demais que me emprestasse por um instante, não é?
Ela olhou para o homem ao seu lado com um tom manhoso:
— Por favorzinho?
Então, inclinou a cabeça e sorriu para Júlia:
— Júlia, você não se importa, não é?
Júlia arqueou uma sobrancelha, encarando-a:
— Me importo, sim. Sou bem sensível a cheiros, especialmente ao cheiro de cinismo e falsidade.
Sérgio já havia tirado o paletó para cobrir os ombros de Clarice e franziu o cenho:
— Júlia, pare com esses chiliques infantis.
Júlia não disse mais nada, apenas observou Clarice exibir uma expressão de pura injustiça, recostando-se no marido dela.
Os dois voltaram juntos para o salão, parecendo lindos e perfeitamente sintonizados.
Com o coração inundado de amargura, ela não conseguiu articular uma única palavra em resposta.
Pois Júlia sabia: apenas quem é verdadeiramente amado pode se dar ao luxo de ser protegido. Não importava o que ela dissesse, sempre seria rotulada como imatura.
Apoiada no braço de Sérgio, Clarice fez uma voz triste:

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