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Amar Foi Perder o Controle romance Capítulo 96

A noite avançava em silêncio absoluto.

Já de madrugada, o ônibus fretado da empresa parou em frente ao Morada One. Carolina se despediu das duas últimas colegas, desceu e seguiu a pé em direção a casa.

Dessa vez, a confraternização tinha sido em um chalé nos arredores de Porto Velho. Natureza por todos os lados, comida local farta, aquele tipo de descanso que prometia desligar a cabeça do trabalho.

Ao chegar à porta, Carolina encostou o dedo no leitor biométrico e empurrou a porta com cuidado.

No instante em que viu a luz da sala acesa, sentiu um leve sobressalto. Àquela hora, Henrique já deveria estar dormindo havia muito tempo.

Ela entrou, trocou os sapatos e virou o rosto em direção à sala.

Como esperado, Henrique ainda estava acordado. Vestia um pijama casual e estava sentado de forma relaxada no sofá, assistindo televisão.

"A essa hora, vendo TV?"

De chinelos, Carolina caminhou até a sala, deixando o olhar pousar na tela.

Henrique ergueu a cabeça para encará-la.

Ela franziu a testa, confusa, observando o jogo de basquete. No canto superior direito da tela, duas palavras se destacavam com clareza absoluta: REPRISE.

Então era isso.

— Já está tão tarde. Por que você ainda está vendo jogo? — Perguntou Carolina.

Ela colocou a bolsa no sofá, o saco de petiscos sobre a mesinha de centro e sentou-se ao lado dele.

Henrique não respondeu.

De repente, deslizou para mais perto dela, abaixou a cabeça e, sem dizer uma palavra, se aproximou do rosto dela.

O movimento inesperado pegou Carolina de surpresa. Ela se assustou. O corpo recuou instintivamente, as mãos apoiadas no sofá, inclinando-se contra o encosto.

O coração disparou.

— Tum. Tum. Tumtumtum…

A uma distância mínima, ela conseguia sentir o perfume suave dos cabelos curtos de Henrique e o calor da respiração dele tocando seu rosto.

A respiração dela se descompassou. O corpo ficou tenso. Engoliu em seco e, com a voz fraca e quase sem força, perguntou:

— O que você tá fazendo…?

Ela achou que ele fosse beijá-la.

O rosto começou a queimar.

Mas, quando ela ficou completamente rígida, Henrique não avançou.

Ele parou.

Inspirou fundo. Aproximou o rosto um pouco mais, cheirou. Então se afastou, sentando-se direito novamente.

Ele pegou a caixa. O canto da boca se curvou em um sorriso quase imperceptível. O olhar, suave, desceu para examinar a embalagem com atenção.

Carolina tirou uma segunda caixa e empilhou sobre a primeira, já nas mãos dele.

— Essa é cocada, doce de coco. O pessoal compra muito pra beliscar.

Ela puxou a terceira caixa e colocou por cima. O tom saiu naturalmente mais leve, quase automático.

— Marido gelado.

Não se sabia se o som da TV abafou a fala ou se Carolina simplesmente falou rápido demais, sem pensar.

Mas Henrique pareceu ser atingido em cheio por aquela palavra.

O corpo dele enrijeceu de repente.

Com as três caixas apertadas nas mãos, ele ergueu o olhar para ela. Os olhos estavam levemente arregalados, as pupilas tremendo. Um choque nu, impossível de disfarçar.

Carolina se assustou com a reação. Ficou completamente perdida.

Na cabeça dela, era só mais uma sobremesa local.

Por que isso provocou uma resposta tão exagerada?

— Repete. — Henrique pigarreou. A voz saiu rouca, baixa. — O que você disse agora?

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