Henrique segurava a chave do carro. Ao passar pela sala, diminuiu o passo, parou e cruzou o olhar com o dela. A voz saiu grave, contida:
— Bom dia.
— Eu fiz macarrão. Come comigo? — Carolina apertou, sem perceber, o avental cinza contra o corpo. No fundo dos olhos, havia uma expectativa delicada, quase frágil.
Henrique hesitou por alguns segundos. Depois caminhou até a mesa, pousou a chave do carro, puxou a cadeira e se sentou.
Um sorriso suave surgiu no rosto de Carolina. Ela voltou rapidamente à cozinha, trouxe uma tigela de macarrão e entregou a ele um garfo e uma faca.
Sentou-se à frente de Henrique, lançou um olhar para a própria tigela e pensou que, dessa vez, o macarrão certamente estava bem cozido.
Então levantou os olhos para ele.
Henrique segurava os talheres, mas já não tinha aquele sorriso gentil de quando ela lhe preparara o café da manhã da outra vez. Agora, o rosto estava neutro, o olhar frio, distante.
Aquilo deixou Carolina inquieta.
Ela perguntou com cuidado, quase em sussurro:
— Você… Não quer comer?
— Não precisa mais acordar cedo pra fazer café da manhã pra mim. — Disse Henrique. Em seguida, pegou os talheres, abaixou a cabeça e começou a comer.
Carolina não entendeu o que aquelas palavras significavam.
Havia uma ponta de expectativa dentro dela. Ela ficou olhando para ele, mas Henrique comia sem qualquer expressão. Sério demais. Distante demais.
Não reclamou.
Não elogiou.
Não disse uma palavra.
O silêncio era tão absoluto que fazia o coração dela apertar.
Carolina não era boba.
Aquela sensação… Era como se tudo tivesse voltado ao começo, à primeira vez em que se conheceram, quando Henrique a tratava com aquela frieza distante.
Claramente, depois de um tempo convivendo, a relação entre eles tinha suavizado. Tinham voltado a se dar bem, tornando-se amigos comuns, convivendo de forma harmoniosa.
Desde o dia em que ela ficara bêbada, porém, a relação entre os dois parecia ter esfriado outra vez.
Será que, naquele estado, ela tinha dito alguma coisa desagradável? Algo que o tivesse ofendido?
O peito de Carolina se encheu de melancolia. A comida perdeu o sabor. Ela comia sem vontade.
— Tudo bem. Faça como quiser. — O tom de Henrique veio mais duro.
Ele se levantou, pegou a tigela dela com o macarrão que sobrara, juntou ao próprio prato vazio e saiu da mesa em direção à cozinha.
Carolina soltou um suspiro pesado e virou o rosto para a porta da cozinha.
De lá de dentro, vinha o som contínuo da água correndo enquanto ele lavava a louça.
O coração dela parecia estar sendo apertado por uma mão invisível, forte demais, doendo por dentro.
Carolina havia passado quatro anos ao lado de Henrique no passado. Conhecia bem o temperamento dele, sempre controlado, paciente. Aquele tom de agora só podia significar uma coisa. Ele estava realmente irritado.
Durante toda aquela semana, Henrique vinha mantendo essa distância fria. Respondia a tudo, resolvia tudo, não deixava nada em aberto, mas havia sempre um ar estranho, uma irritação sem nome pairando sobre cada gesto.
Até mesmo quando a ajudou a lidar com a questão da mãe, o jeito dele fora duro, quase agressivo.
Carolina não conseguia entender onde tinha errado. O que teria feito para deixá-lo tão instável, tão diferente?
Desde o dia em que decidiu dividir o apartamento com ele, ela já sabia. No fundo, sabia muito bem. Estava cometendo um erro enorme.
Ela sabia que, diante de Henrique, jamais conseguiria manter o coração calmo e indiferente.
E mesmo assim… Escolheu avançar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amar Foi Perder o Controle
Pq está dando erro na leitura do livro...
É sério . Está dando, pedindo pra acessar mais tarde, porém está cobrando dinheiro vulgo moedas, é errado isso...
Pq está cobrando moedas verso dinheiro e não estou conseguindo acessar o livro, pq dar um jeito de dar o acesso às moedas cobradas...
É possível obter o e-book completo?...