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Amar Foi Perder o Controle romance Capítulo 92

— Tudo o que eu disse é verdade. — Afirmou Henrique.

— Essas coisas que você falou… Não tem como terem saído da boca da minha mãe. Ela jamais faria questão de comprar doce pra mim. — Carolina retrucou.

— As pessoas mudam. — Disse ele.

— Mas não mudam assim, de repente, depois de uma conversa de apenas uma hora. — Carolina insistiu. A voz estava carregada de desconfiança. — O que foi que você fez? O que exatamente você disse pra ela?

Henrique se inclinou para a frente, os cotovelos apoiados nas coxas. O olhar era profundo, atento, difícil de decifrar. Havia agora nele um leve traço de impaciência.

— Carolina, você não precisa saber do processo. Basta saber que o resultado é bom. Isso já é suficiente. — Respondeu.

— E o dinheiro do dote do meu irmão? — Ela ainda não conseguia acreditar que Henrique tivesse resolvido tudo sem gastar um centavo. — Como ela pretende lidar com isso?

— Isso é problema do seu irmão. Ele que resolva. — Disse Henrique.

Carolina sentiu como se estivesse sonhando. Era difícil demais de acreditar.

— Essa… Também é a posição da minha mãe? — Perguntou.

— É. Também é. — Confirmou ele.

Ela se recostou no sofá, voltou a abraçar a almofada e ficou olhando fixamente para Henrique, em silêncio.

Carolina sabia que aquele homem era inteligente. E talentoso.

Mas os conflitos familiares que ela não conseguira resolver em mais de vinte anos… Henrique tinha dado um jeito em apenas uma hora?

Que tipo de método ele tinha usado?

De repente, uma frase dele ecoou em sua mente.

"Carolina, no fundo, você acha mesmo que eu só tenho essa capacidade?"

De fato, ele não tinha apenas essa capacidade.

Depois do incidente em que ela fora atacada por um cachorro, a cidade inteira passou por uma fiscalização rigorosa contra a criação irregular de cães. Animais sem registro, sem documentação ou em situação de abandono foram recolhidos e encaminhados de forma estrita.

Vários funcionários do Departamento de Controle Animal acabaram sendo investigados.

O condomínio trocou de administradora em um intervalo de tempo surpreendentemente curto.

Até Igor, que antes agia com favorecimentos descarados, acabou sendo demitido.

No instante em que a porta do quarto se fechou, o coração de Carolina afundou junto.

O tom dele não soara exatamente como uma preocupação com a saúde dela por causa da bebida. Soara mais como se beber tivesse causado algum transtorno, como se pudesse gerar problemas desnecessários. Havia ali um leve traço de desaprovação.

Naquela noite, a curiosidade torturou Carolina. Ela virou de um lado para o outro, incapaz de dormir.

Na manhã seguinte, o despertador tocou.

Ainda sonolenta, ela se arrastou para fora do calor da cama, lavou o rosto com água fria e, depois de despertar de vez, foi para a cozinha preparar o café da manhã.

Depois da experiência anterior cozinhando macarrão, dessa vez tudo foi mais rápido, mais natural, quase automático.

Quando levou o café da manhã para a mesa, encontrou Henrique saindo do quarto.

Ele vestia uma blusa preta de gola alta em tricô, um sobretudo longo também preto, calça preta bem cortada e um relógio discreto, porém luxuoso. O conjunto ressaltava ainda mais seu ar frio e elegante. Bonito, imponente, com uma postura reta e refinada.

Aquele porte nobre tinha muito a ver com sua origem familiar. Era algo que parecia nascer com ele, impossível de ignorar.

Carolina pousou os pratos na mesa e o cumprimentou em voz baixa, suave:

— Bom dia.

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