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Amar Foi Perder o Controle romance Capítulo 88

Ao se aproximar da entrada do condomínio, Carolina freou de repente.

Do lado de fora, reconheceu a silhueta da própria mãe.

O pânico veio em um segundo. Ela se escondeu às pressas atrás da guarita de segurança, usando a estrutura como abrigo.

Ontem tinha sido o irmão, trazendo Mônica.

Hoje, era a mãe.

Como esperado. Um verdadeiro encosto, enquanto não conseguisse o que queria, não desistiria.

Carolina hesitou por alguns instantes e acabou dando meia-volta, seguindo pela trilha lateral para sair pelos fundos do condomínio.

De volta ao escritório de advocacia, fez questão de escolher tarefas externas sempre que pôde.

Ia se esconder por mais alguns dias.

Marcelo e Larissa lhe enviaram mensagens, separadamente, mas com praticamente o mesmo conteúdo:

[Sua mãe veio me pedir duzentos mil emprestados. Disse que você paga depois do Ano-Novo.]

Sem palavras, Carolina respondeu apenas com duas:

[Não empresta.]

Marcelo e Larissa tinham crescido com ela desde a infância. Conheciam muito bem o tipo de pessoa que a mãe dela era e também sabiam exatamente como Carolina pensava.

Esse dinheiro, se fosse emprestado, não só acabaria com a amizade, como provavelmente nunca mais voltaria.

Uma semana depois.

Ao entardecer, sob um céu já tomado pela penumbra, Carolina voltou para casa pelo acesso dos fundos do condomínio, como vinha fazendo nos últimos dias.

Na entrada do prédio, ela a viu novamente.

Sua mãe, Luana.

No fim das contas, era possível fugir por um tempo, mas não para sempre.

Luana estava com o rosto fechado e o olhar afiado. Ao lado dela, Antônio.

Depois de passar uma semana inteira esperando na portaria sem conseguir vê-la, Luana recorrera a alguém do próprio condomínio para ajudar.

Tudo aquilo era por causa do dinheiro do dote do filho.

Para arrancar aquele dinheiro, ela realmente não poupava esforço algum.

Carolina estava exausta por dentro. Ainda assim, caminhou até eles e cumprimentou em um tom apagado:

— Mãe.

Luana manteve as mãos enfiadas nos bolsos do casaco. A postura era altiva, fria, carregada de desprezo. Com a raiva entalada no peito, soltou uma risada irônica:

— Não me chama assim, não. Eu lá tenho moral para ser sua mãe? Carolina, nem um ingrato criado por mais de vinte anos trataria a própria mãe desse jeito.

— Sessão de fotos do casamento, reserva do buffet, compra do ouro. — Luana despejou tudo de uma vez. — Isso já consumiu todas as minhas economias. O dinheiro do dote fica por sua conta, como irmã mais velha. A Mônica é de fora, e lá na terra dela o costume é bem claro. Duzentos mil. Tudo isso é costume lá na terra dela.

— Não tenho. — Respondeu Carolina, sem alterar o tom.

— Como assim, não tem?! — Luana explodiu na hora.

Carolina permaneceu estranhamente calma:

— Dinheiro de presente eu dou dez mil. Fora isso, não vai sair mais um centavo.

Luana pôs as mãos na cintura, puxou o ar com força e rangeu os dentes.

— Advogado que é advogado ganha dezenas de milhares em um único processo, às vezes mais de cem mil. Você é advogada há quatro anos, não é? Vive ocupada, nunca aparece em casa, e não conseguiu juntar nem duzentos mil?

— Eu já te expliquei isso faz tempo. — Respondeu Carolina, com paciência fria. — Sou advogada de assistência social. Ganho praticamente o mesmo que um funcionário comum. Tenho despesas com moradia, alimentação e transporte. E todo mês ainda pago o tratamento médico do Luiz. Eu simplesmente não tenho como juntar dinheiro.

Luana cortou, autoritária:

— Então vai pegar emprestado.

Carolina fechou a mão devagar. As unhas cravaram na palma, segurando a raiva que subia.

— Não vou pegar emprestado. E não vou dar.

Luana perdeu completamente o controle:

— Em que família uma irmã dá só dez mil para o casamento do irmão? Isso é passar vergonha! Vai fazer a família Brito virar motivo de chacota! Esses duzentos mil você vai ter que dar, querendo ou não. Carolina, eu te carreguei nove meses na barriga, te criei, te dei estudo, e você não sabe ser grata? Ainda teve a ousadia de me mandar para a cadeia por dez dias só porque eu te belisquei algumas vezes! Você vai ser castigada pelo céu, ouviu? Vai cair um raio na sua cabeça!

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