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Amar Foi Perder o Controle romance Capítulo 87

O alarme do celular soou alto demais.

Carolina despertou com um sobressalto. As têmporas pulsavam de dor. Ela estendeu a mão para fora do cobertor ainda quente, apalpou o telefone irritante e deslizou o dedo pela tela.

O alarme cessou.

O quarto voltou ao silêncio.

Em algum momento, a porta de vidro da sacada e as cortinas haviam sido fechadas. O ambiente estava morno, envolto em uma penumbra densa e abafada.

Ainda sonolenta, Carolina apoiou-se na cama e sentou-se.

Massageou de leve a cabeça pesada, fechando os olhos para se recompor.

As lembranças da noite anterior começaram a se organizar…

Mas iam apenas até certo ponto.

Ela se lembrava de estar bebendo na sala. Depois disso, a memória parecia se interromper no instante em que adormeceu, debruçada sobre a mesinha de centro.

Carolina abriu os olhos, levantou o cobertor e olhou para o pijama, intacto. Em seguida, lançou um olhar rápido ao redor do quarto.

"Foi Henrique quem me carregou de volta?"

Depois de beber daquele jeito… Será que tinha passado vergonha na frente dele?

Com o coração inquieto, Carolina saiu da cama e foi ao banheiro se lavar.

Meia hora depois.

Ela saiu do quarto.

O olhar parou imediatamente em Henrique.

Ele estava recostado no sofá, com uma tranquilidade contida. Vestia preto da cabeça aos pés, simples, elegante, frio.

— Bom dia. — Disse Carolina ao atravessar a sala e parar diante do purificador de água.

Ela encheu um copo com água morna.

Henrique não respondeu. Apenas ergueu levemente o olhar.

Carolina se virou, bebendo a água enquanto o encarava de volta.

Nos olhos negros dele surgiu algo difícil de decifrar, uma sombra profunda de hesitação, enquanto a observava em silêncio.

Carolina sentiu um arrepio subir pela espinha. O coração acelerou. Engoliu um gole grande de água morna, segurando o copo quente com as duas mãos. Mordeu de leve o lábio, visivelmente insegura.

— O que foi?

Henrique respondeu em um tom especialmente neutro:

— Não foi nada. Ontem você me fez café da manhã. Por educação, fiz um para você também. Está na cozinha.

— Obrigada… — Carolina agradeceu em voz baixa.

Ela hesitou por alguns segundos antes de perguntar, com cautela:

— Ontem à noite eu bebi demais… Foi você que me levou para o quarto?

Henrique baixou o olhar e voltou a atenção para o celular.

— Foi.

O coração de Carolina apertou.

Ela se lembrava vagamente de que o sonho da noite anterior tinha sido real demais.

Antes, também sonhava com Henrique com frequência. No sonho, ele nunca era duro com ela, nunca a rejeitava.

Carolina levou um salgado de queijo e presunto à boca, mastigando devagar, enquanto puxava pela memória aquela cena noturna.

Henrique tinha sido um pouco cruel. Até no sonho aquilo doía. Então ela não aguentou, abraçou-o, tomou a iniciativa e o beijou.

O estranho era que, dessa vez, o beijo fora muito mais intenso do que das outras vezes. Mais profundo. Tão vívido que parecia acontecer de verdade.

Ele a pressionou contra a cama e a beijou por um longo tempo. O corpo dela esquentou, inquieto, tomado por um vazio inexplicável que pedia para ser preenchido. Carolina arqueou-se, ansiando por ele, com uma urgência quase desesperada.

E então… Ele parou.

Deixou apenas uma frase:

— Você está bêbada. Eu não vou me aproveitar de você.

E foi embora, sem olhar para trás.

A lembrança emergiu de repente.

Carolina apertou os talheres com força, mastigando com mais raiva do que o necessário. O peito ficou oco, pesado. Irritou-se em silêncio.

"Por que, até nos sonhos, Henrique precisa ser tão correto?

Será que nem ali ela pode ter, ao menos uma vez, um sonho realmente arrebatador?"

Só de pensar nisso, as bochechas dela voltaram a esquentar.

Depois de terminar o café da manhã, Carolina lavou a louça, se arrumou e saiu para o trabalho.

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