“Eu aconselhei você a obedecer, não foi? Mesmo que eu dissesse quem está por trás, o que você faria? Você, uma garota sem poder nem influência, vinda de um lugar esquecido, pode continuar tentando me enfrentar!”
Quem poderia ser?
Priscila pensou primeiro em Maíra.
Ela realmente tinha medo; já presenciara demais as artimanhas de Maíra.
Na noite anterior, certamente por ter sido salva por Reinaldo, Priscila acabara estragando os planos de Maíra.
Assim, ficou claro que Samuel não tinha agido por impulso, mas sim sob orientação de alguém.
Priscila apertou os dedos com força, questionando interiormente por que Maíra insistia em levá-la ao extremo.
Ela ergueu os olhos e observou as policiais uniformizadas à sua volta.
Será que elas poderiam protegê-la?
Delegacia
Uma policial aproximou-se de Priscila e disse: “Sra. Duarte, a senhora denunciou essa senhora por caluniar sua honra e prejudicar seu trabalho, mas, por ora, só poderemos adverti-la. Sobre a acusação de que o filho dela teria tentado abusar da senhora, há alguma prova?”
Prova?
O Hotel Praia Dourada pertencia à família Ferreira; Maíra jamais disponibilizaria as imagens para ajudá-la.
Priscila abriu a boca, resignada, e respondeu: “Não tenho!”
“Somente com sua palavra, não temos como incriminar Samuel. Quanto à proposta de casamento feita por ela para o filho, é claro que a senhora não deve se sentir coagida. Vocês duas deveriam conversar melhor.”
“Policial, quero denunciar Priscila por calúnia, pois ela manchou minha reputação. Eu só queria que ela assumisse a responsabilidade pelo meu filho. Tudo o que disse é verdade!”
A senhora começou a inverter a situação.
Priscila lançou um olhar fulminante para a senhora.
A policial demonstrou clara frustração.
“Sra. Duarte, se não apresentar provas de que o filho dela tentou abusar de você, a senhora será presa por difamação!”
“Eu…”
“Pense bem!”
A policial balançou a cabeça e saiu.
Maíra então levantou o celular, mostrando um vídeo em reprodução.
No vídeo, um adolescente estava sendo socorrido.
Irmão?
Era o irmão dela!
“Se tem algo contra mim, venha até mim, mas deixe ele em paz, ele é só uma criança!” Priscila, desesperada, segurou nas grades e gritou em voz alta.
“Ele está assim única e exclusivamente por sua culpa! Ele está à beira da morte, mas se você obedecer, ele ainda pode sobreviver!”
Maíra fez sinal para que Elio tirasse um contrato da bolsa e jogou-o diante de Priscila.
No topo do contrato, lia-se claramente: Contrato de Casamento.
Era um contrato de casamento com Samuel.
Priscila olhou chocada para Maíra e perguntou, em tom frio: “Então, tudo o que aconteceu ontem à noite naquele quarto foi arquitetado por você!”
“Sim, você está certa, fui eu quem planejou tudo. E daí? O que você pode fazer contra mim?”

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