Desta vez, o destino do voo de Reinaldo, mais uma vez, foi Boston.
A companhia aérea tentou por várias vezes alterar o destino dele, mas Reinaldo recusou todas as propostas.
O voo foi então transferido para outro comandante.
Já fazia algumas escalas que ele pilotava apenas voos para Boston.
Isso deixou Priscila extremamente inquieta; parecia que trazer Luzinha de volta ao país não podia mais ser adiado.
Priscila continuava lidando com os afazeres pendentes, porém o barulho vindo de fora quebrou a tranquilidade.
Uma mulher de aproximadamente sessenta anos, repleta de joias brilhantes da cabeça aos pés, adentrou o ambiente.
Ela trajava uma túnica multicolorida, parecendo um verdadeiro pavão exibindo suas penas.
“Priscila, sua mulher sem vergonha, apareça imediatamente!”
A senhora, com passos curtos e apressados, foi diretamente ao escritório de Priscila.
Ficou claro que ela já havia se informado previamente.
Priscila franziu a testa.
Parecia que ela nunca ofendera alguém, principalmente uma senhora daquela idade.
Como não havia acontecido algo tão agitado na companhia aérea há muito tempo, todos saíram para ver o que estava acontecendo, e o corredor ficou lotado em questão de instantes.
Aline Fonseca observava tudo escondida.
Ela já havia notado a entrada da senhora e, ao ouvir que estava à procura de Priscila, prontamente lhe indicou onde ficava o escritório de Priscila.
O episódio no restaurante, no qual Priscila a deixou constrangida, ainda estava fresco em sua memória.
Já desejava há tempos encontrar uma oportunidade para se vingar.
A conversa entre Reinaldo e Ricardo também foi compreendida por Aline, que percebeu que realmente não existia nenhum envolvimento entre Priscila e Reinaldo.
Isso a deixou ainda mais à vontade para agir.
“Seu filho? Por favor, posso saber o nome dele?”
Priscila franziu o cenho. Quando foi que alguém a salvou? Só se fosse ontem, quando Samuel tentou abusar dela e foi salva por Reinaldo.
“O quê? Meu filho, Samuel. Você ousa dizer que não o conhece? Ontem vocês estavam juntos em um encontro às cegas, no Hotel Praia Dourada, no quarto 220!”
Essas palavras da senhora só alimentaram ainda mais as fofocas.
“Encontro às cegas em quarto de hotel? Meu Deus, nunca ouvi falar, a primeira vez já levou para um quarto?”
“Essa mulher sempre teve fama de promíscua!”
Os olhares dirigidos para Priscila imediatamente se tornaram estranhamente hostis.
“Senhora, está dizendo que seu filho me salvou? Muito bem, então a senhora tem coragem de ir comigo até a delegacia para esclarecer os fatos? Ontem, quem tentou abusar de mim foi justamente seu filho!”
“Ai meu Deus, eu não quero mais viver! Meu filho agora está na UTI, você pode dizer o que quiser, mas vê-lo quase inválido, e ainda assim você despreza ele? Ai, eu não quero mais viver!”

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