“Reinaldo!”
Quando Reinaldo saiu do escritório da Priscila, sua mente ainda estava mergulhada em pensamentos confusos.
Somente quando alguém o chamou, ele voltou à realidade.
A pessoa já havia se aproximado e passou o braço pelos ombros dele.
Ao perceber a expressão fria de Reinaldo, retirou a mão de maneira constrangida.
“Capitão Ferreira!” Ricardo Barros, visivelmente embaraçado, corrigiu o tratamento.
Não era a primeira vez que via Reinaldo, caso contrário, não teria ousado tanto ao abraçá-lo. Já haviam pilotado juntos algumas vezes.
Na verdade, antes era copiloto, mas havia sido promovido e, assim como Reinaldo, agora era comandante.
Ele acreditava que, tendo voado juntos algumas vezes, também haviam se tornado amigos de confiança, forjados nas dificuldades.
Lembrava-se de um voo em que enfrentaram condições climáticas adversas; ele próprio ficara apavorado, mas Reinaldo demonstrou uma calma impressionante, conduzindo o avião a um pouso seguro com sua perícia.
Por isso, considerava que já haviam passado por apuros juntos.
Talvez, dessa vez, tivesse ultrapassado os limites.
As pessoas ao redor também sentiram preocupação por Ricardo; todos sabiam que o Capitão Ferreira nunca gostava que se aproximassem dele, fossem homens ou mulheres.
Ricardo quase esqueceu o motivo de ter vindo, tamanha a pressão que sentiu diante da postura de Reinaldo.
Além da inspeção rotineira, havia outra questão que desejava esclarecer.
“Capitão Ferreira, preciso te perguntar uma coisa. Aquela... médica do voo, a Priscila, você a conhece? Qual é a relação de vocês? Todos comentam que há algo entre vocês, é verdade?”
Ele reuniu coragem e despejou todas as perguntas de uma vez.
Temia que, se levantasse a cabeça e visse novamente o semblante frio de Reinaldo, perderia a coragem de perguntar.
“Não tenho intimidade!”
Reinaldo respondeu secamente e continuou caminhando.
Na pista de estacionamento do aeroporto, o avião já havia fechado as portas, recebido autorização de solo para decolagem e estava pronto para partir em segurança.
Seguindo as orientações da equipe de solo e da torre, taxiou até a pista e aguardou.
Na frequência, surgiu a instrução da torre: “KE132, vento no solo 030, 4 m/s, pista 10R liberada para decolagem.”
“10R liberada para decolagem, KE132.”
Após a confirmação, Reinaldo iniciou os procedimentos de decolagem.
Soltou o freio de estacionamento, avançou as manetes, e o KE132 acelerou na pista, com o motor rugindo, até atingir a velocidade de VR, 140 nós.
Com mão firme no manche, Reinaldo ergueu o nariz da aeronave, que subiu ao céu como uma águia.
Priscila, observando do escritório, assistiu ao avião de Reinaldo decolar.
Seu humor mergulhou num abismo.
Não poderia estar mais confusa.

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