“Por que você me salvou?”
Priscila reuniu coragem e perguntou a Reinaldo.
Imaginava que aquele seria seu fim, acreditava que se tornaria a ‘ovelha’ de que Samuel falava.
Não esperava, porém, que no último momento, fosse salva por Reinaldo.
“Você ainda não pagou a dívida que tem comigo, como eu poderia deixar que algo acontecesse com você?” Reinaldo, contendo suas próprias emoções, respondeu friamente.
“Ah.” Priscila murmurou suavemente, então era por isso.
Sempre achou que Reinaldo fazia tudo para contrariá-la, não entendia por que, justo naquele momento crucial, ele a salvaria.
“O quê? Achou que era por outro motivo?”
Reinaldo revidou com outra pergunta.
Apesar disso, Priscila ainda não conseguia perceber a real intenção por trás da atitude dele.
De repente, Priscila sentiu sede, sem saber se era porque Reinaldo estava muito perto dela.
Sentiu-se cada vez mais quente.
Muito calor, tanto que parecia que o ar dentro do carro ficava rarefeito.
Abriu a janela e o vento do outono entrou, trazendo algum alívio.
“Por que está calada?”
Reinaldo esperava que Priscila falasse algo, mas, após muito tempo, não ouviu palavra alguma.
Quando abaixou a cabeça para olhar Priscila, percebeu que ela semicerrava os olhos, com as bochechas ruborizadas, como se estivesse doente.
Ele parou o carro e tocou a testa de Priscila.
Muito quente.
Pela aparência dela, parecia que havia ingerido algum remédio.
“Está muito ruim!” Priscila murmurou, agarrando com força a mão de Reinaldo.
Ao se aproximar de Reinaldo, aquele sentimento tão intenso a fez querer desabotoar a camisa dele.
Levantou a mão, mas conseguiu se conter.
Não queria se mostrar daquela maneira diante dele, sem saber o que Reinaldo pensaria dela.
“Muito calor!”
Por pouco não cometeu um grande erro.
Olhou para o celular: era uma ligação de Yasmin.
Atordoada, pegou o aparelho para atender.
Uma mão grande a surpreendeu, pressionando o telefone em sua mão e jogando-o no banco ao lado.
“Me solta, quero atender o telefone!” Priscila protestou, tentando alcançar o aparelho novamente.
Mas, por ter sido lançado longe por Reinaldo, não conseguia pegá-lo.
Começou a ver imagens duplicadas do celular à sua frente.
Balançou a cabeça e empurrou Reinaldo, pegando o telefone de volta.
“Alô, Yasmin!”
“Priscila, onde você foi? Procurei por você um tempão, você não estava em lugar nenhum, meu irmão ainda está esperando, não combinamos de conversar daqui a pouco?”
Reinaldo tentou pegar o celular de Priscila, mas ela o impediu novamente.
“Priscila, onde você está? Vou te buscar!” Yasmin continuou.

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