— Eu não me casei com ela.
Desde quando eu havia me casado com Brianna?
Jaqueline suspirou e sorriu. Não havia ressentimento em suas palavras:
— Você está morando com ela. Desculpe, mas, para mim, isso tem o mesmo significado de um casamento.
Não respondi. As palavras simplesmente morreram na minha garganta.
— Siga em frente, Oliver. E permita que eu também siga. Sei que vai repetir que Adriel não vale nada, mas quero descobrir isso por mim mesma. Eu gosto dele. Certamente, ainda não é o mesmo sentimento que você tem por Brianna. Mas, aos poucos, posso chegar lá... posso amar novamente.
— Não... — Meneei a cabeça, atordoado.
— Eu tenho o direito de amar e de ser amada, Oliver. — As lágrimas escorreram dos olhos dela.
Quando percebi, minha mão já estava erguida, a poucos centímetros do rosto de Jaqueline. Fiz menção de tocá-la, mas me contive.
Era apenas meu corpo me traindo. Meu instinto protetor reagindo ao vê-la chorar, como se eu precisasse fazer alguma coisa para impedir suas lágrimas.
Talvez aquilo sempre tivesse existido dentro de mim: o medo de que alguém a machucasse. Afinal, Jaqueline era a mãe dos meus filhos. E eu me importava com ela por esse motivo.
— Eu não sei do que você estava falando quando disse que Brianna chamou nossos filhos de bastardos.
Abaixei imediatamente a mão e enfiei-a no bolso, apertando o tecido com força para que ela não voltasse a me trair, desobedecendo às ordens do meu cérebro e tentasse novamente tocar Jaqueline.
— Ela te chamou durante a ligação de vídeo, Oliver. Você estava na cama.
— Na cama?
— Sim...
— Você ligou para Brianna?
— Liguei para você. Combinamos a chamada de vídeo, mas você não cumpriu o que prometeu. Eu... não queria dormir sem me despedir de Zoe e Maicon.
— Jaqueline, eu sequer estava com o meu telefone. No momento exato em que você chegou, eu procurava o aparelho com Zoe e Maicon. Eles podem confirmar isso. E não existe a menor possibilidade de Brianna ter atendido à ligação, porque meu celular estava desaparecido.

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