— Nesse caso, ouvirei os argumentos das duas partes. No entanto, esclareço desde já que esta audiência não existe para decidir qual dos dois possui mais dinheiro, poder ou ressentimento. O que será avaliado é quem oferece melhores condições para atender às necessidades emocionais, físicas e sociais de Zoe e Maicon, sem afastá-los injustificadamente do outro genitor.
Meu coração acelerou. Embora soubesse que enfrentaríamos uma grande disputa pela guarda de Zoe e Maicon, tive a sensação de que nossos filhos haviam se transformado em objetos a serem divididos entre o pai e a mãe.
No entanto, deixá-los à mercê de Adriel não era uma opção. Assim que vi Jaqueline ao lado dele, tive a certeza de que precisava voltar atrás na decisão de aceitar a guarda compartilhada.
Niko foi o primeiro a se manifestar:
— A senhora Walker solicita a guarda de duas crianças, mas não dispõe, neste momento, das condições financeiras necessárias para sustentá-las. Durante o divórcio, abriu mão voluntariamente de todos os direitos patrimoniais decorrentes do casamento, sem considerar como essa decisão afetaria Zoe e Maicon.
Eu duvidava que Natália encontrasse argumentos capazes de rebater aquilo.
Niko prosseguiu:
— Ela deixou a residência da família sem possuir uma casa própria e levou os filhos para o apartamento de uma amiga, onde os três dividem o mesmo quarto e dormem na mesma cama.
Jaqueline se remexeu e fez menção de falar, mas Natália tocou discretamente seu braço, pedindo que permanecesse em silêncio.
— Enquanto isso — Niko continuou — o senhor Bianchi possui residência fixa, estrutura adequada, funcionários e recursos suficientes para proporcionar aos filhos conforto, segurança e estabilidade. Cada criança tem o próprio quarto e tudo aquilo de que necessita. A senhora Walker pode desejar a guarda, mas desejo não substitui condições reais. Antes de abrir mão de todo o patrimônio, deveria ter pensado no futuro dos filhos que agora afirma pretender proteger.
Natália se levantou imediatamente:
— O argumento da defesa se sustenta na ideia equivocada de que possuir mais dinheiro significa ter maior capacidade para criar os próprios filhos. Se esse fosse o principal critério, nenhuma mãe com renda inferior à do pai teria o direito de permanecer com as crianças.
Ela colocou um documento sobre a mesa, como se já soubesse que usaríamos a situação financeira de Jaqueline como nosso primeiro argumento.
— A senhora Walker não renunciou a nenhum direito pertencente a Zoe e Maicon. Renunciou apenas àquilo que poderia reivindicar para si em decorrência do casamento. Os direitos das crianças permaneceram intactos, assim como a obrigação do pai de contribuir para o sustento delas, independentemente de quem obtenha a guarda.
Niko fez menção de interrompê-la, mas Natália prosseguiu. Por um momento, tive a impressão de que os dois defendiam causas pessoais, não apenas os interesses de seus clientes.
Talvez fosse porque nossos advogados também eram nossos amigos, e não apenas profissionais contratados para nos representar. Seria impossível se manterem totalmente indiferentes diante daquele caso.
Natália continuou:
— Também não é verdade que ela não tenha condições de sustentar as crianças. Jaqueline está empregada, possui renda e já demonstrou disposição para construir a própria independência. Atualmente, está hospedada no apartamento de uma amiga porque precisou deixar, de maneira repentina, a residência onde viveu durante anos. Uma situação provisória não pode ser apresentada como incapacidade permanente.
Natália olhou diretamente para Niko, parecendo furiosa:

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