POV Oliver
Fiquei atordoado quando vi Adriel com a mão sobre Jaqueline. Mas o beijo...
Se ainda existia a mínima possibilidade de eu aceitar uma guarda compartilhada, ela deixou de existir naquele exato momento.
Adriel retirou um celular do bolso e o entregou a Jaqueline:
— Você esqueceu. Sei que saiu apressada para não correr o risco de se atrasar. E também sei da importância de estar com o celular, caso liguem por alguma coisa relacionada às crianças...
— Não mencione os meus filhos! — Não consegui me conter.
— Oli... — Brianna me puxou pelo braço.
— Eles não são apenas seus. Também são filhos de Jack. Você é muito possessivo, irmão.
— Ah, seu...
Senti dois braços me conterem antes que eu avançasse. Era Niko.
— Agora não é hora nem lugar, Oliver — ele disse em voz baixa, para que ninguém ao redor escutasse.
Jaqueline começou a puxar Adriel pelo braço. Enquanto se afastavam, ouvi quando ela disse:
— Olhe para você, Adriel. Ainda nem se recuperou da outra pancadaria. Chega de brigar. Vocês não são crianças.
De tudo o que ela disse, só consegui prestar atenção ao fato de ele chamá-la de “Jack”, com uma intimidade que eu, durante sete anos, nunca me senti no direito de ter.
— Jaqueline vai achar que você está com ciúme por agir assim, Oli — Brianna disse enquanto pegava minha mão entre as dela. — Deixe-a ser feliz.
Meneei a cabeça, ainda atordoado.
— Nós estamos felizes. Ela também tem esse direito.
Retirei minha mão das dela e perguntei, com seriedade:
— O que você está fazendo aqui? Não era hoje a sessão de fotos para o lançamento da campanha?
— Eu troquei a data. Acha mesmo que deixaria você sozinho num momento tão importante? Estamos juntos, Oli. E estarei ao seu lado sempre que precisar.
Observei Jaqueline, Adriel e Natália atravessarem a porta principal do prédio. Permaneci imóvel, sem nenhuma capacidade de pensar, agir ou fazer qualquer outra coisa.
Uma coisa era cogitar que os dois estivessem juntos. Outra era imaginar aquilo acontecendo. Porém, vê-los daquela maneira despertou em mim uma sensação tão repugnante que mal consegui suportar.
Jaqueline se arrependeria. E, quando isso acontecesse, não poderia dizer que eu não a havia alertado.

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