Olhei para Jaqueline, praticamente morta em meus braços. Depois para Zoe, que gritava e chorava, e para Maicon no chão, como se tivesse acionado algum botão capaz de ejetá-lo daquele mundo.
Foi naquele momento que percebi que meu mundo estava desabando. E... eu não enxergava nenhuma possibilidade de fazê-lo voltar ao normal.
A voz de Natália saiu mais suave dessa vez:
— Oliver, coloque-a no sofá. — Ela se aproximou cuidadosamente. — Peça que tragam água. Se Jack quiser ir ao médico quando acordar... eu juro que a levarei. Por enquanto, precisamos fazer o que é indicado nesses casos. É apenas... um desmaio. Ela deve estar voltando a si.
Havia alguma coisa estranha na segurança com que Natália falava, como se já soubesse o que estava acontecendo... e como se aquilo fosse... normal. Mas eu não conseguia raciocinar o suficiente para questioná-la.
Meu corpo inteiro tremia. Os gritos de Zoe pareciam ecoar dentro do meu cérebro, enquanto Maicon intensificava os movimentos do corpo.
De maneira automática, sem ter a mínima noção do que estava fazendo, coloquei Jaqueline delicadamente no sofá. Natália manteve Zoe junto de si, enquanto eu caminhava em direção a Maicon.
Meu filho era minha prioridade naquele momento.
— Maicon... — chamei em voz baixa. — Olhe para o papai.
Ele não olhou em meus olhos. Era como se estivesse muito longe de todos nós, preso num lugar que eu não conseguia alcançar.
Jaqueline sempre conseguia acalmá-lo, independentemente da situação. Mas agora ela...
Ela não estava ali para ajudá-lo. E... caralho, o que eu faria?
Lembrei-me do quase atropelamento de Maicon. Da forma como Jaqueline colocou a mão perto dele, sem tocá-lo, e esperou que nosso filho aceitasse sua aproximação.
Sentei-me no chão e apoiei uma das mãos sobre o piso, sentindo os dedos tremerem. Deslizei-a lentamente na direção de Maicon, aproximando-a o máximo que consegui sem encostá-lo.
Então, permaneci ali... esperando que ele percebesse que eu estava perto... e aceitasse minha ajuda.
Não sei se realmente demorou ou se, para mim, o tempo passava tão devagar que parecia existir uma hora inteira dentro de cada minuto.
Então, lentamente, a mãozinha dele se moveu em direção à minha. A ponta de um de seus dedos tocou o meu.
Os movimentos de seu corpo começaram a diminuir, e fiz o possível para permanecer calmo e não puxá-lo imediatamente para mim, embora estivesse desesperado para abraçá-lo.
Os dedinhos do meu filho se entrelaçaram aos meus lentamente. Somente então o puxei, apertando-o com força contra meu corpo.

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