— Não — fui enfático. — Não foi isso que combinamos.
Eles poderiam querer ir com ela. Porém, Jaqueline aparecer para buscá-los realmente não fazia parte das nossas combinações. Era apenas a primeira noite. Se aquilo se repetisse sempre que sentissem saudade, eles jamais conseguiriam se adaptar à nova rotina.
— Jaqueline, que surpresa! — Brianna falou do alto da escada.
Brianna começou a descer devagar, exibindo um sorriso:
— Se eu soubesse que você viria, teria adiado o jantar para que pudesse comer conosco.
Meneei a cabeça, confuso, e olhei para Jaqueline. Eu simplesmente não sabia o que dizer. Não conseguia imaginar todos nós ao redor da mesma mesa, comendo e conversando de maneira civilizada.
A lembrança do café da manhã que tomamos ao lado de Brianna surgiu em minha mente. Aquela foi a última refeição em que minha família esteve completa. E não foi porque Brianna estava presente, mas porque... Jaqueline estava.
Jaqueline ignorou Brianna e entregou Zoe e Maicon para Natália:
— Leve-os daqui.
— Caralho, eu só atrasei alguns minutos a porra da chamada de vídeo! — explodi. — Fiz tudo certo antes disso...
Ela limpou uma lágrima e caminhou em minha direção. Parou diante de mim, ergueu o queixo e declarou:
— Eu odeio você.
“Eu odeio você.”
Aquelas palavras atravessaram meu peito como uma facada.
Eu sabia que Jaqueline sempre gostou de mim. Apesar disso, ela nunca havia dito “eu te amo”. Não que eu precisasse daquelas palavras para confirmar o que ela sentia. Durante anos, seu amor esteve em tudo o que fazia por mim, mesmo quando me recusei a enxergá-lo.
Nunca imaginei que ouviria algum dia “eu te odeio” da boca de Jaqueline. Tampouco imaginei o quanto ficaria afetado quando acontecesse. E simplesmente... aconteceu.
Eu deveria me defender. Mas... de que exatamente estava me defendendo?
Só voltei a mim quando senti a mão de Brianna tocar meu braço:
— Oli, não acho correto Jaqueline dizer esse tipo de coisa na frente das crianças. O que acha que eles pensarão, Jaqueline? Como acha que Zoe e Maicon se sentirão?

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