Dei alguns passos em direção a Adriel e olhei para sua mão estendida, mas não a toquei. Meu coração não bateu mais forte daquela vez. Ele saltitou dentro do peito, como se tentasse escapar.
Eu já sabia que não chegaria aos doze meses. Se tivesse muita sorte, quem sabe chegaria aos seis. E, nos últimos dias, testei meu pobre coração tantas vezes que parecia prestes a esgotá-lo por completo.
Ao perceber que eu não seguraria sua mão, Adriel mudou a direção do gesto e apontou para o interior da sala. Entrei, sem jeito.
— Sente-se — ele pediu.
Havia uma cadeira diante da mesa e vários sofás espalhados pela sala. Escolhi a cadeira. No entanto, nunca passou pela minha cabeça que Adriel não se sentaria do outro lado da mesa. Ele se escorou na borda, bem diante de mim, cruzou os braços e abriu um sorriso... incrível.
— Você será minha secretária, junto com Gabriela — explicou.
— Eu... não tenho experiência. Não me considero... apta. E justamente por isso me inscrevi para a vaga de estagiária.
— Você aprenderá.
— Eu tenho... pouco tempo.
Ele arqueou uma sobrancelha:
— Já está pensando em me deixar?
Engoli em seco. Eu não pensava em deixá-lo. Mas, infelizmente, precisaria fazer isso.
Adriel percebeu minha hesitação e perguntou:
— Por que você tem pouco tempo, Jack?
Desviei daquela pergunta com a única verdade que podia lhe oferecer:
— Eu realmente preciso muito desse emprego... não apenas pelo salário, mas por uma infinidade de outras coisas que não vêm ao caso.
— Essa infinidade de coisas... também diz respeito a mim?
Arqueei uma sobrancelha, confusa.
— Estou me referindo à possibilidade de você querer o emprego para passar mais tempo ao meu lado.
— O quê? — perguntei, incrédula.
— Ao menos essa é a desculpa que estou usando para mantê-la por perto... dar a você um emprego que não poderá recusar.
Continuei olhando para ele, agora verdadeiramente hesitante. Por que Adriel agia daquela maneira comigo? Será que Oliver e Cirdan tinham razão quando disseram que ele não era um bom sujeito?
— Desculpe-me, Jack. Acho que estou indo rápido demais e não quero assustá-la.
Percebi que seu lábio ainda estava inchado e que havia alguns resquícios dos hematomas, os quais tentou esconder com maquiagem. De certa forma, funcionou. Ele continuava lindo mesmo daquele jeito.
— Senhor Andrade...
— Não. — Ele descruzou os braços. — Se me chamar de senhor Andrade outra vez, será a funcionária demitida mais rapidamente na história do departamento de recursos humanos.
— Adriel... — corrigi-me mais que depressa. — Eu... não posso trabalhar durante o dia inteiro. Quero e preciso do emprego, como já mencionei. Porém, preciso trabalhar apenas meio período. Tenho dois filhos... e preciso muito cuidar deles. Se você achar que isso não será bom para a empresa, juro que entenderei. Também posso exercer outra função que não exija tanto tempo.
— Qual, por exemplo?
— Eu só quero trabalhar. Para onde você me mandar, eu irei — fui sincera.
— Contratada. Meio período, com o salário inteiro.
Encarei-o, atordoada.

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