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Adeus marido, seu amor nunca me pertenceu romance Capítulo 56

— Pois chame a polícia, seu babaca. Aposto que Zoe e Maicon vão amar ver o papai chegando com a polícia atrás deles.

Respirei fundo. Existiam pessoas irritantes e existia Natália Still. Entre tantas amigas que Jaqueline poderia escolher, foi parar justamente com Natália.

É claro que eu deveria chamar a polícia. Jaqueline levou meus filhos, não permitiu que eu os visse e agora sequer atendia às minhas ligações.

Se eu chamasse a polícia, Zoe acharia o máximo. Ela se divertiria com a situação e certamente faria os policiais se apaixonarem por ela. Maicon, por sua vez, arregalaria os olhinhos e se esconderia atrás da mãe, esperando que ela o protegesse de qualquer coisa.

E aquela era justamente a parte que me incomodava. A relação de Maicon com a mãe era de completa dependência, como se ele precisasse de Jaqueline para atravessar todas as etapas da vida.

Meu filho não criava vínculos com ninguém além de mim, da mãe e da irmã. Eu sabia que não existia espaço para outra pessoa na vida dele. Ao menos não sem que tivesse tempo suficiente para ele se acostumar.

Nem com os avós Maicon conseguiu criar vínculos. É claro que, vez ou outra, tentava participar das brincadeiras e interações com meus pais. Ainda assim, seus olhinhos sempre procuravam por mim ou por Jaqueline, como se ele precisasse confirmar que continuávamos ali.

A família de Jaqueline não era muito presente em nossas vidas, com exceção de Anabelle. Nesse caso, nem mesmo Zoe conseguiu criar vínculos ou desenvolver afeto pelos familiares por parte da mãe.

Apesar de frequentar a casa dos Walker com certa regularidade na época em que conheci Brianna, nunca tivemos nada além de uma convivência respeitosa.

Não que eu me importasse, mas, quando me casei com Jaqueline, pensei que as coisas poderiam ser diferentes, já que ela era filha legítima daquela família, não apenas alguém que eles acolheram. Mas não. Nada mudou.

Jaqueline praticamente não falava com o pai. Tentava estar presente na vida do irmão, mas acho que nada, além da cocaína, conseguia prender a atenção de Johnny Walker. Sim, seu nome foi escolhido por causa da famosa bebida, pois o pai estava embriagado quando foi registrá-lo.

E existia Anabelle... a mulher que tentava dar conta de tudo, mas que, obviamente, não conseguia.

Ou seja, a família de Jaqueline era caótica. Mesmo assim, eu tentava participar dos momentos que ela considerava importantes, como as datas comemorativas. Era estranho estar entre eles, mas eu me esforçava por causa das crianças. Aliás, acho que a própria Jaqueline também enxergava aqueles encontros como uma obrigação.

Mas Jaqueline sempre foi muito atenciosa com meus pais, e eles a amavam. Por isso, eu considerava justo perder algumas horas do meu dia ao lado de um homem que mal conseguia permanecer em pé de tão bêbado e de um cunhado que às vezes aparecia e, em outras, desaparecia. Quando não estava em uma clínica de reabilitação, Johnny vagava por algum lugar desconhecido em busca de drogas.

E, em meio a todo aquele caos, estava Anabelle, sempre disposta a cozinhar, pôr a mesa e manter a falsa imagem de uma família.

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