Eu deveria ter contado a verdade para Jaqueline? Claro que sim. Precisava dizer que havia reencontrado Brianna, decidido retomar o que deixáramos para trás e que pretendia me casar com ela.
No entanto, aproximar-me de Jaqueline sempre pareceu impossível. Na verdade, eu não queria, e ela não fazia questão. Éramos opostos em quase tudo, embora compartilhássemos a mesma dificuldade de sorrir ou simplesmente aproveitar a vida.
Nossos filhos eram a única exceção. Perto deles, parecíamos nos permitir ser quem realmente éramos.
Vi o retrato da família no chão, ao lado da porta e caminhei até ele. Recoloquei-o na parede. Não porque desejasse recuperar algo que nunca tivemos, mas porque aquela era a casa de Zoe e Maicon. Tudo permaneceria exatamente como estava... até que eles decidissem que alguma coisa poderia mudar.
E eu tinha certeza de que aquela fotografia seria algo que jamais desejariam retirar dali.
Prendi os cabelos e, quando olhei para o relógio, percebi que já havia passado uma hora do momento em que costumava chegar à Diamond.
Não fiz o desjejum. Quando estava saindo, encontrei o Estate Manager e perguntei rapidamente:
— A senhora Hills já voltou?
— Não, senhor.
— Não? Ela virá mais tarde?
— Ela não virá, senhor. Disse que permanecerá com a senhora Jaqueline e... não aceitou a nova proposta de salário.
Quando cheguei à Diamond naquela manhã, não retirei os óculos escuros. Eu sabia que eles mal disfarçavam alguma coisa. Ainda assim, sentia-me mais seguro daquele jeito, como se as lentes pudessem esconder tudo o que fiz no dia anterior.
Sentei-me à mesa, apoiei os cotovelos sobre a superfície e amparei a cabeça entre as mãos. Nunca, em toda a minha vida, eu me senti tão perdido.
Ouvi uma leve batida na porta e autorizei a secretária a entrar.
— Senhor Bianchi...

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Adeus marido, seu amor nunca me pertenceu