— Quero que agilize o processo de guarda das crianças. Por que está demorando tanto, Niko?
Ele demorou a responder, como se não tivesse entendido nada:
— Você sabe que horas são, Oliver?
Não, eu não sabia. Estava na sacada, olhando para um jardim inútil, enquanto fingia fumar um cigarro e beber alguma coisa, sentindo meu mundo desmoronar.
Fingir que tudo continuava exatamente como sempre estivera parecia ser a melhor saída. Eu não tinha condições físicas nem psicológicas de pensar demais.
Meneei a cabeça, atordoado. Depois de um longo silêncio, Niko perguntou:
— Você ainda está acordado, Oliver?
— Infelizmente... sim.
— Que porra está acontecendo com você?
— Sinto falta dos meus filhos. E quero ficar com eles.
— Cara, você precisa pensar melhor sobre isso.
— Infelizmente, não tenho tempo para pensar, Niko. Preciso impedir Adriel de chegar perto de Zoe e Maicon. Por isso, quero a guarda permanente e que as visitas da mãe aconteçam na minha presença.
Ouvi o suspiro dele do outro lado da linha:
— Farei isso. Mas não hoje. Ou melhor, hoje... porque já passou da meia-noite. Mas não agora.
— Obrigado, Niko.
— Agora vá dormir, Oliver. Você nunca costuma ficar acordado até tarde. Seja lá o que estiver incomodando você, uma boa noite de sono fará bem.
Voltei para o quarto, joguei-me na cama e apaguei.

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