Mas o pior de tudo era que Oliver Bianchi, de um jeito ou de outro, permanecia dentro do meu coração. Fosse trancado em um lugar profundo, cuja chave eu desejava nunca mais encontrar, fosse ocupando cada pequeno espaço com amor, mágoa, raiva e decepção. Não importava qual fosse o sentimento. No fim, tudo dentro de mim ainda levava a ele.
Durante toda a minha vida, desejei engravidar de Oliver. Na minha cabeça, aquilo poderia fazer com que ele passasse a me amar. E, mesmo que isso não acontecesse, eu jamais estaria sozinha, porque carregaria para sempre um pedaço dele.
Não existia um único dia em que eu não o visse, mesmo quando Oliver não estava presente. Isso porque Zoe, nossa filha, era exatamente como o pai: loira, olhos claros, nariz fino, lábios carnudos e queixo bem definido. A cor dos cabelos dos dois era exatamente igual. E... eu nunca havia tocado nos cabelos de Oliver, mas imaginava que tivessem a mesma maciez e sedosidade dos fios da nossa menina.
Então, como odiar o homem que deixara uma miniatura de si mesmo para mim, e aquela miniatura era uma das pessoas que eu mais amava na vida?
Dulce Marta, mãe de Oliver, não havia sido a mandante. Foi cúmplice. Quando sugeriu aquilo, eu já havia tomado minha decisão há muito tempo. O que não esperava era que, de maneira prática, ela me entregasse tudo o que eu precisava para executar o plano.
Nunca contei a Dulce Marta que o plano havia dado certo em relação aos bebês, mas que eu e Oliver, mesmo depois do nascimento dos gêmeos, nunca nos tornamos um casal de verdade.
Quando Oliver me acusou, eu poderia ter contado que não fiz aquilo sozinha. Mas por que acusaria a própria mãe dele? Eu sabia que, assim como eu, ela também não havia agido com uma intenção ruim quando tomou aquela decisão. No fim, fui eu quem administrou a dose, conduziu Oliver até aquela cama e praticamente roubou seu esperma.
A culpa era minha. Não dela. E eu pagaria eternamente pelo que fiz: receberia para sempre o ódio do pai dos meus filhos e, ao mesmo tempo, jamais conseguiria me arrepender, porque tinha Zoe e Maicon.
Contar a verdade a Oliver não fazia sentido, já que fingíamos para todos que éramos uma família feliz, embora nunca nos aproximássemos um do outro, nem mesmo na presença de outras pessoas.
Por isso, preferi fazer Dulce Marta acreditar que nosso plano dera certo. Que eu não apenas havia dado filhos a Oliver, mas também tornara nosso casamento sólido depois do nascimento das crianças.
Minha sogra acreditava que o fato de o filho não dormir comigo não era culpa apenas de Oliver. Dizia que eu precisava cumprir meu papel de mulher e seduzi-lo, fazer com que ele desejasse voltar para casa porque saberia que eu o esperava na cama.
Resumindo: ela queria que eu o fizesse me desejar. Nunca vi isso como uma crítica. Dulce Marta só queria que tudo desse certo.
Mal ela nunca soube que Oliver jamais me quis na cama dele, independentemente de como eu estivesse, vestida ou nua.
A questão que despertava minha curiosidade naquele momento era outra: Adriel seria filho de Dulce Marta ou de Cirdan?
Pelo visto, assim como Oliver e eu, os pais dele, o casal que eu admirava e acreditava ser o mais perfeito do mundo, também sustentavam um relacionamento baseado em mentiras.
— Eu — respondi, por fim.

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