Entrar Via

Adeus marido, seu amor nunca me pertenceu romance Capítulo 34

Nunca! Nunquinha eu permitiria que um homem fizesse aquilo... de entrar na minha casa.

— Você tem duas opções, Jaqueline. Ou me deixa levá-la ao médico e, assim que ele disser que você está bem, eu vou embora, ou permita que eu a deixe em casa e me certifique de que nada acontecerá no caminho... nem mesmo um desses desmaios “normais” que acontecem com as pessoas o tempo inteiro.

Eu ri. E não foi um riso forçado. Foi uma risada real, sincera, provocada pela forma como ele repetiu minha desculpa absurda. Por alguns segundos, permiti-me fingir que Adriel realmente estava preocupado comigo.

— Tudo bem — concordei, por fim.

Imaginei que continuar negando não mudaria muita coisa. Adriel não aceitaria uma recusa e eu não tinha forças para permanecer naquela discussão.

Ele fez um sinal para um homem próximo à porta de entrada da empresa e, em poucos minutos, um carro parou diante de nós, com as portas abertas. Respirei aliviada ao perceber que havia um motorista ao volante.

Se fôssemos apenas eu e Adriel, jamais teria aceitado entrar naquele carro. Eu ainda prezava por uma maldita reputação que não precisava mais preservar para ninguém.

Ironicamente, não me preocupei com reputação alguma quando deixei aquele homem me beijar, me prensar contra uma parede e tocar o que eu tinha de mais íntimo.

Durante o trajeto, Adriel tentou manter uma conversa agradável, mas me limitei a responder com monossílabos. Eu estava confusa demais e não fazia a mínima ideia de como deveria agir. E não era apenas porque olhava para aquele homem e me lembrava de tudo o que havíamos feito naquela boate. Mas porque também não conseguia parar de pensar em tudo o que Oliver fizera naquela sala.

Quando chegamos em frente ao prédio onde Natália morava, respirei fundo e disse:

— Obrigada, senhor Andrade.

Ele riu. E, mesmo completamente danificado fisicamente, continuava lindo.

— Como eu já disse, a palavra “senhor” vinda de você é totalmente ofensiva.

Franzi a testa:

— Desculpe. Eu não quis ser ofensiva.

— Então me chame de Adriel.

Abri a boca, mas não consegui pronunciar o nome dele. Aquilo me pareceu íntimo e desrespeitoso demais, considerando que, poucas horas antes, ele era o homem que estava me entrevistando para uma vaga de emprego.

— Como você se refere a mim nos seus pensamentos? — perguntou.

Eu o encarei, incrédula:

— Eu não penso em você.

— Talvez não tenha pensado em mim hoje. Mas, naquela noite, deve ter pensado em alguma coisa enquanto estávamos nos beijando ou...

— Não pensei — interrompi antes que ele pudesse concluir, sabendo que, naquele instante, minhas bochechas já estavam vermelhas como duas labaredas.

— Pois eu pensei em você como... “a gostosa da boate”.

O ar pareceu desaparecer dos meus pulmões. Pedi mentalmente ao meu coração que aguentasse mais um pouco. Comecei a acreditar que aquele homem seria o responsável por antecipar ainda mais uma morte que já era precoce demais.

— Isso é...

— Se não me contar como se referiu a mim nos seus pensamentos, direi as outras mil maneiras como me referi a você nos meus.

— Eu não tinha como me referir a você pelo nome, já que nem sabia qual era. Para mim, você era “o estranho”.

— Eu não sou estranho. Preferia ser lembrado como “o desconhecido”. Agora, conhecido, claro. O que lhe dá o direito de me chamar simplesmente de Adriel, já que esse é o meu nome.

Talvez não fosse tão difícil assim.

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Adeus marido, seu amor nunca me pertenceu