POV Oliver
Niko poderia ter escolhido qualquer lugar para nos encontrarmos. Mas escolheu justamente uma charutaria, mesmo sabendo que eu odiava charutos. A única parte boa era que o ambiente era sofisticado e aconchegante.
A decoração do lugar era clássica, com poltronas confortáveis de couro, móveis de madeira escura e iluminação baixa. Um blues tocava suavemente, misturando-se ao cheiro forte dos charutos.
Assim que cheguei à sala privada, Niko já estava me esperando, sentado em uma das poltronas.
— Blues? — perguntei. — Por que blues, porra?
— Você queria o quê? Uma música latina falando sobre uma borboleta que transa com todo mundo?
— Cuidado com a maneira como fala da minha esposa, Niko.
— Sua esposa? — Ele arqueou uma sobrancelha, mantendo a tranquilidade. — Estamos falando de qual delas?
— Eu só tenho uma esposa.
— Você quer dizer que só tem uma ex-esposa, estou certo? Porque, se estamos falando de Jaqueline, ela é sua ex. E, se estivermos falando de Brianna, ela...
Respirei fundo e sentei-me ao lado dele, ignorando o restante da frase. Na verdade, nem tive certeza se Niko continuou falando. Meu cérebro havia desenvolvido um mecanismo de defesa bastante eficiente: sempre que alguém dizia algo que eu não queria escutar, eu simplesmente fingia que a pessoa não havia dito.
Pensei que nada poderia ficar pior. Mas ficou. Niko estava fumando aquela coisa perto de mim e, mesmo sem tocar no charuto, eu inalava fumaça suficiente para diminuir alguns anos da minha expectativa de vida.
— Fale sobre o que aflige seu coração, amigo — pediu Niko, soprando a fumaça diretamente na minha direção.
Tossi e movimentei uma das mãos, tentando afastar a fumaça. Depois olhei para o relógio:
— Tenho pouco tempo, Niko.
Ele riu:
— Acho tão engraçado quando as pessoas precisam de mim e, ainda assim, chegam fazendo exigências.
Perguntei-me quanto tempo eu precisaria ficar ali, enaltecendo o ego de Niko, até que ele finalmente resolvesse me ajudar. Talvez fosse mais rápido aprender sozinho como conquistar uma mulher. Levando em conta a minha experiência praticamente inexistente, porém, eu poderia levar alguns anos. E não tinha tanta paciência.
Ficamos algum tempo nos encarando, sem dizer nada. Niko foi quem rompeu o silêncio:
— Eu tenho até pena de você, Oliver.

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