Zoe não carregava nada além da própria traquinagem, que já ocupava espaço suficiente e não caberia em mochila alguma.
Havia roupas e objetos pessoais deles em nossa casa. Mas eu já tinha decidido me mudar. Aquela mansão trazia a imagem de Jaqueline em cada cômodo, mesmo que ela nunca tivesse deixado muitos objetos espalhados. E aquilo fazia a saudade e a culpa me massacrarem sempre que eu passava por um lugar onde costumava encontrá-la.
Os dois saíram correndo para buscar as coisas. Olhei para meus pais, que ainda permaneciam sentados à mesa.
— Você... passou a noite com ela? — minha mãe perguntou, sorrindo.
Meu pai ergueu as mãos, como se agradecesse aos céus:
— Enfim... uma noite sem bebidas nem drogas. Vocês dois realmente mereciam isso.
Abaixei a cabeça e não disse nada. Estava cansado demais para me explicar e destruído demais para fingir que aquilo não me afetava.
— O que aconteceu com as flores? — meu pai perguntou, desconfiado.
Ou talvez não fosse desconfiança, mas certeza. Afinal, ele me conhecia melhor do que eu mesmo.
— Foram parar no lixo... assim como a minha noite com ela.
Houve um breve silêncio antes de minha mãe perguntar:
— E você vai desistir tão facilmente?
Eu a encarei. Não importava o que fizesse, Jack jamais me perdoaria. Pelo menos era o que eu acreditava naquele momento.
— Na verdade, nosso filho não gosta de Jack — meu pai disse, colocando a mão sobre a de minha mãe. — Ele gosta de Brianna.
— Eu terminei com Brianna — revelei.
Meu pai arqueou uma sobrancelha:
— Ainda assim, você não gosta de Jack.
— Eu gosto — confessei, me sentindo envergonhado. — Gosto... muito.
— Desde quando? — minha mãe perguntou.

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