Fiquei destroçado com as flores ali, no lixo. Ainda assim, respirei fundo e tentei me manter firme. Talvez houvesse uma explicação. Quem sabe o entregador não colocou as flores na porta certa.
Fui para o elevador e assim que parou no andar do apartamento de Natália, senti meu coração acelerar. Pela primeira vez na vida, eu não sabia o que fazer, como agir e o principal... o que esperar.
Embora eu quisesse revelar meus sentimentos, algo dentro de mim dizia que aquelas rosas no lixo eram o sinal do que eu receberia de resposta. E eu compreendia que não era merecedor de um perdão. E que Jack acharia que eu só estava tentando empatar o relacionamento dela com Adriel.
Mas se eu não tentasse, jamais saberia o que poderia ter sido. O pior é que eu sequer conseguia imaginar como seria voltarmos àquela vida de casados. E a resposta era simples: só fomos casados no papel. Teríamos que aprender o que era ser uma casal de verdade. E talvez a forma de fazer isso fosse recomeçar... lá do início. O início era a parte do anel. E como estávamos divorciados, eu poderia reparar também aquela parte... como um pedido digno.
Acho que a questão mais difícil era convencer Jack de que eu nunca mais a trairia. Se eu fosse ela, não acreditaria em mim. Porém, eu sabia que, depois de tudo que aconteceu após a partida dela, eu jamais conseguiria tocar outra mulher. E aquilo era bem irônico.
Parei diante da porta e apertei a campainha. Demorou para que alguém me atendesse.
E não foi Jack. Foi Natália. Ela estava vestindo algo que não era de alguém que estava dormindo. Parecia que, assim como eu, esteve acordada a noite inteira. E isso não era somente pelas vestimentas, mas pelos cabelos com um rabo de cavalo caído, a maquiagem desfeita e o olhar cansado.
Ela olhou no relógio. Depois andou um passo e olhou ao meu redor:
— Onde estão Zoe e Maicon?
— Eu quero falar com a Jack.
Ele ergueu o olhar para mim e estreitou os olhos:
— O que você quer aqui, seu babaca aspirante a ex-marido perfeito?
Eu sorri, mas por dentro imaginava ela pegando fogo naquele exato momento.
— Repetindo: quero falar com a Jack.
— Ela não está?
— Como assim ela não está? Eu mesmo a deixei aqui há poucas horas atrás?
Natália ficou me olhando por um tempo e depois perguntou:
— O que você quer com a Jack? Dar pessoalmente a notícia de que matou a mãe dela? — cruzou os braços e riu, com deboche — porque Anabelle é a única pessoa da família dela que você ainda não deixou agrediu violentamente.
Suspirei, não disposto a discutir com Natália. Eu nunca gostei dele. E ela nunca gostou de mim. E tudo bem, desde que mantivéssemos o respeito.
— Ah, Natália. Eu respeito a sua existência. Mas não concordo.
— Seu filho da puta!

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