Senti meu corpo tremer levemente. Abri a porta e saí.
— Eu não me importo que ela saiba do beijo! — Oliver gritou.
—Pois deveria, seu babaca de cabelo recém cortado — senti a chuva me atingir. — Já pensou em como vai viver se o amor da sua vida te deixar?
Fechei a porta com toda a força. Não havia sido por raiva dele. Oliver era um ser insignificante. Ou, ao menos, era isso que eu tentava repetir para mim mesma. Mas destruir de alguma forma o carro de Brianna me agradava. Eu sabia que aquilo era cruel e que o pensamento era horrível. Ainda assim, não me preocupei por pensar daquela maneira. E não senti culpa.
Abri a porta do prédio e entrei, passando as mãos pelo tecido da roupa molhada.
Assim que a porta do elevador se abriu, deparei-me com Adriel no corredor, encostado na parede ao lado da porta. Mantinha uma das pernas dobrada, com o pé apoiado atrás de si.
Deus, aquele homem parecia uma pintura de tão lindo.
Se achei estranho ele estar ali àquela hora? Claro que achei. Mas vê-lo acendeu alguma coisa dentro de mim. Uma tranquilidade... uma calmaria que eu já não sentia havia muito tempo.
Fui me aproximando e, quando parei diante dele, Adriel ergueu um buquê de rosas brancas.
Minhas mãos ficaram trêmulas quando o peguei. Eu nunca havia ganhado flores. Passei o dedo lentamente por uma das pétalas, sentindo a suavidade e o aroma delicado.
— Obrigada — minha voz mal saiu. — São... lindas.
Percebi que ele estava todo molhado.
— Eu simplesmente... senti saudade — ele disse.
Estendi a mão para ele:
— Venha! Vou fazer um chá quente para nós. Estamos bem molhados — ri.
Ele segurou a minha mão e abri a porta. Entramos de mãos dadas. Aquele era um gesto de carinho que me deixava completamente apaixonada.
Olhei ao redor. Natália ainda não havia chegado e me preocupei.
— Fique à vontade. Vou ligar para Natália. Ela já deveria estar em casa.
Entrei no corredor e olhei para Adriel de relance, observando-o passar as mãos pela roupa, tentando retirar a umidade deixada pela chuva. Próximo a ele estava o buquê com o qual havia me presenteado... do nada, sem uma data especial para comemorar ou um motivo específico para me dar flores.
Ele era lindo, inteligente, romântico e havia me dado meu primeiro beijo de verdade e meu primeiro orgasmo. Só faltava transar. Eu merecia viver aquilo. E o meu tempo estava acabando.
Meus filhos estavam seguros com os avós. Eu era uma mulher de vinte e cinco anos, divorciada e não tinha motivo algum para não transar com meu namorado. Não era mais uma adolescente que precisava sentir pudor por desejar um homem. Aliás, acho que nem as adolescentes tinham tanto pudor quanto eu.
Não sabia se transar era algo que deveria ser programado... mas havia decidido que, para mim, seria assim.
Fui para o quarto de Natália e liguei para ela:
— Oi. Onde você está? Por que ainda não chegou em casa?
Eu realmente estava preocupada. Minha amiga já deveria estar em casa havia algum tempo.
— Então...
Ouvi a voz de um homem do outro lado da linha e sorri:
— Está bem, você está viva. Finalmente voltou à sua vida normal e está transando. Sinto muito por ainda estar ocupando sua casa e...
A voz dela soou baixa, atropelando minha fala:
— Não estou transando. Deus me livre transar com esse habeas corpus com pernas.
— Habeas... corpus?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Adeus marido, seu amor nunca me pertenceu