Acionei a campainha e logo fui atendida pela governanta.
— Onde está Oliver? — perguntei, entrando sem sequer pedir permissão.
— Estão... na sala de estar íntima.
Eu já sabia onde ficava. Dirigi-me para lá imediatamente. Assim que cheguei, deparei-me com Oliver, Zoe, Maicon, Cirdan e Dulce Marta. Estavam todos sentados na sala, comendo... sorvete.
Assim que meus filhos me viram, correram em minha direção. E, durante alguns minutos, nada mais importou. Eu já nem me lembrava do que me levara até ali. Zoe e Maicon conseguiam fazer qualquer coisa ruim desaparecer.
Diferentemente de Oliver, eu não conseguia pegar os dois no colo ao mesmo tempo. Geralmente, precisava fazer um rodízio. Mas, naquele momento, eu estava tão tensa que preferi me ajoelhar e deixar que os dois me envolvessem num abraço apertado e quase eterno.
Eles falavam ao mesmo tempo, felizes por eu estar ali. E, por um breve momento, senti falta dos meus dias naquela casa... dos momentos em que fingíamos que Oliver e eu éramos felizes e formávamos uma família perfeita.
Oliver se aproximou de mim. Sorriu e perguntou, quase num sussurro:
— Sentiu saudades?
Eu o encarei, furiosa:
— Não de você!
O sorriso morreu nos lábios dele. Fui até Dulce Marta e Cirdan para cumprimentá-los. Cirdan ajeitou discretamente a posição da perna com a prótese antes de se inclinar para me receber. A forma como os dois me acolhiam fazia com que eu desejasse tê-los como pais. E... apesar de tudo o que aconteceu entre Oliver e mim, eu era muito grata por ter conhecido aquele casal.
— Venha se sentar conosco, Jack — Cirdan convidou. — Quer um pouco de sorvete?
— Ela não come sorvete de chocolate — Oliver avisou. — Gosta de chocolate, mas não de sorvete de chocolate.
Olhei para ele, atordoada. Em sete anos, Oliver nunca demonstrou saber praticamente nada sobre mim. E agora se lembrava justamente do sabor de sorvete que eu não comia?
— Não quero... obrigada — respondi, dirigindo-me a Cirdan.
— Mas isso não é problema algum, querida. Pedirei outro sabor.
— Não! — falei e olhei para Oliver. — Agradeço, Cirdan... mas preciso conversar com Oliver. E... tem que ser em particular.
Oliver não resistiu. Acho que sabia muito bem do que se tratava.
— Acho que agora podemos tomar... sorvete de chiclete — Dulce Marta sugeriu, sorrindo. — Quem gosta de sorvete de chiclete?
Os gêmeos correram na direção dela, empolgados para experimentar o tal sorvete. Eu apostava que Dulce Marta tinha alguma participação no que acontecera com os cabelos de Brianna. E, pela satisfação estampada no rosto dela, não parecia sentir arrependimento algum.
Enquanto Oliver me conduzia até o escritório, Zoe falou alto o suficiente para que escutássemos:
— Acho que eles vão fazer as pazes.
Respirei fundo e senti meu peito apertar. Acho que eles sempre carregariam aquela esperança. Um desejo que jamais se concretizaria, por mais que tentassem nos aproximar.
Oliver abriu a porta e estendeu uma das mãos, indicando que eu deveria entrar. Depois que também entrou, fechou-a atrás de si.

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