Girei a chave, e o motor ganhou vida. Permaneci imóvel por alguns segundos, olhando para tudo à minha frente.
Eu havia conseguido ligar o carro, o que já era um grande avanço. Talvez dirigir não fosse tão difícil quanto as pessoas faziam parecer.
Olhei para os pedais. Havia somente dois. Onde estava o terceiro?
Inclinei-me para a frente, procurando melhor. Olhei para um lado, depois para o outro. Mas realmente não havia um terceiro pedal.
O carro de Natália tinha três pedais. Eu sabia porque já havia visto os pés dela se movimentando enquanto dirigia. Um deles era a embreagem, embora eu não fizesse a mínima ideia de para que servia.
Talvez aquele carro estivesse com defeito. Ou Brianna tivesse comprado um veículo com peças faltando.
Peguei meu celular e pesquisei rapidamente: “Carro com apenas dois pedais”. Resultado: Automático. Um freio e um acelerador. Apenas aquilo.
Olhei para as letras ao lado da alavanca: P. R. N. D.
Eu sabia que o R fazia o carro andar para trás. Descobri aquilo anos antes, quando Zoe perguntou a Oliver por que aparecia uma câmera na tela sempre que ele colocava a marcha naquela letra. Ou seja, R estava eliminado.
O P provavelmente significava “parado”. O N... eu não fazia a mínima ideia. Talvez significasse “não mexa”. Restava o D, que eu acreditava significar “dirigir”. Respirei fundo e movi a alavanca para o D.
Assim que tirei o pé do freio, o carro começou a andar sozinho.
— Meu Deus!
Bem que eu sempre imaginei que dirigir não fosse tão difícil, já que praticamente qualquer pessoa conseguia fazer aquilo. O carro sequer precisava que eu mandasse para começar a andar.
Pisei novamente no freio com tanta força que meu corpo foi lançado para a frente, e o cinto de segurança travou contra o meu peito.
Fiquei olhando pelo para-brisa, ofegante. Eu ainda nem havia saído do lugar e já quase sofrera um acidente. Talvez aquilo fosse um aviso divino para que eu desistisse enquanto ainda estava viva.
Porém, meus filhos estavam com Oliver e eu precisava encontrá-los. Ou seja, não existia nada no mundo que me faria desistir.
Dessa vez, tirei o pé do freio devagar. O carro começou a se movimentar lentamente. E segurei o volante com tanta força que meus dedos começaram a doer.
Cheguei até o portão sem bater em nada. O segurança me olhou, confuso, provavelmente estranhando o fato de Brianna ter se transformado numa mulher morena e alguns centímetros mais baixa.

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