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Adeus marido, seu amor nunca me pertenceu romance Capítulo 176

Bastou abrir os olhos para que tudo desaparecesse. O homem com a cicatriz já havia se afastado pelo corredor. Mas minhas mãos ainda tremiam como se continuassem segurando aquela garrafa quebrada.

Mas não era ele. Certamente, o homem daquela noite estaria mais velho. Além disso, o corte havia sido feito do lado contrário. Era apenas uma coincidência. Uma infeliz e cruel coincidência.

Durante muitos anos, a imagem daquele homem fez parte das minhas memórias. Mas já fazia algum tempo que eu não pensava mais naquilo. Talvez porque, depois daquela noite, nunca tivesse visto um homem com uma cicatriz que me fizesse lembrar do que aconteceu.

Mas então eu vi. E aquilo me lembrou de que, em algum lugar do mundo, aquele homem ainda vivia... ou se escondia.

Nunca imaginei que pudesse reencontrá-lo. Tampouco... fazer alguma coisa a respeito. Na época, eu era apenas uma criança. Não contei a ninguém sobre a tentativa de abuso. Mas agora, naquele momento, pela primeira vez, compreendi que poderia denunciá-lo. Não importava que tantos anos tivessem passado. Eu ainda podia procurar as autoridades e contar tudo o que aconteceu.

Porém... eu jamais iria atrás dele. Era como se uma parte de mim quisesse desesperadamente fazer aquilo... enquanto a outra tinha medo de voltar no tempo e desenterrar algo que, na verdade, nunca esteve num buraco tão profundo assim.

— Jack, Jack... — Ouvi Natália me chamar, desesperada.

Eu a encarei, tentando voltar ao presente. Tentei me concentrar nos meus filhos, e não naquele monstro. Então, consegui me recuperar rapidamente. Eu só não queria desmaiar. A falta de ar já não era novidade, e eu aprendera a lidar com ela. Também sabia que, conforme o tempo passasse, aquilo apenas pioraria.

— Eu estou bem — falei.

— Não, você não está... Você passou mal. Eu vi, Jack.

Eu nunca havia contado aquilo a Natália. E jamais contaria. Sentia vergonha... uma vergonha grande demais para colocar em palavras. Ela sabia que eu não bebia, não saía e evitava determinados lugares, mas sempre imaginou que aquele fosse apenas o meu jeito, já que eu sempre fui muito tímida.

Olhei para o celular. Nenhum retorno de Oliver.

— Preciso que me leve até a casa de Oliver — falei.

— O que vamos fazer, Jack? — Ela me segurou pelo braço. — Mandar Oliver para a cadeia?

Senti um frio percorrer meu corpo. Eu não sabia o que realmente havia acontecido entre Oliver, meu pai e meu irmão... mas apenas imaginar Oliver preso me causava pânico. Se ele fosse para a cadeia, quem cuidaria de Zoe e Maicon quando eu partisse?

Já seria difícil demais para eles enfrentarem a morte da mãe. Perder também o pai num período tão curto seria doloroso demais para os gêmeos. Sem contar que... ninguém jamais conseguiria ocupar o lugar que eu e Oliver ocupávamos nos coraçõezinhos deles.

Não respondi. Apenas me encaminhei para o carro dela. Quando chegamos, sentei-me no banco do carona, e Natália tentou ligar o veículo. E, como eu era uma pessoa extremamente sortuda na vida... o carro não ligou.

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