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Adeus marido, seu amor nunca me pertenceu romance Capítulo 170

— Dinheiro — ele confessou, desviando os olhos. — Eu aceitei... Eles me ofereceram dinheiro para que eu ficasse calado. E...

Não consegui me conter. Embora estivesse tentando desesperadamente, desde que entrei ali, manter a calma e agir como uma pessoa normal, aquilo foi mais forte do que eu. A confissão fez todo o meu esforço desaparecer. Minha visão escureceu e fechei os punhos, disposto a terminar o que havia começado na última vez.

Mas não tive tempo de acabar com o pouco que deixei inteiro de Jaziel. Ouvi um grito vindo do andar de baixo e, logo depois, o som de alguma coisa se quebrando. O grito desesperado de Anabelle veio em seguida, tão alto que parecia que ela estava junto conosco naquele quarto.

Saí correndo e, quando cheguei à escada, vi Johnny no andar inferior, empurrando Anabelle com tanta força que ela caiu sobre o sofá. Um objeto estava quebrado no chão, mas sequer consegui identificar o que era.

Nem sei como desci tão depressa. Praticamente saltei os últimos degraus. Quando Johnny levantou a mão para bater na própria mãe, consegui contê-lo, segurando seu braço antes que o golpe a atingisse.

Johnny me olhou. Suas pupilas estavam dilatadas e os olhos, completamente vermelhos. Ele ficou atordoado, pois não esperava que alguém o impedisse. Certamente nem sabia que eu estava naquela casa. Talvez, naquele momento, sequer soubesse direito onde estava ou quem era.

— Saia — ordenei a Anabelle, que continuava caída sobre o sofá, olhando para nós sem saber o que fazer.

— Não! — ela gritou. — Não vou deixar você machucar meu filho.

Eu a encarei. O sentimento que surgiu dentro de mim naquele momento foi uma mistura de escárnio e nojo. Como aquela mulher conseguia defender o filho que acabara de agredi-la? Como podia se preocupar mais com o que eu faria contra Johnny do que com aquilo que ele estava prestes a fazer com ela?

Eu ainda segurava o braço de Johnny. Ele parecia incapaz de se mover, não apenas por causa da força com que eu o prendia, mas porque provavelmente já não sabia quem era nem conseguia entender completamente o que acontecia ao redor.

Respirei fundo, tentando preservar o pouco de sanidade que ainda me restava. Eu estava separado de Jack e não tinha mais nada a ver com a família dela. A própria Jack parecia tentar fugir daquelas pessoas nos últimos tempos. Ou seja, eu não precisava entrar naquela briga. Não tinha obrigação alguma de me meter nos problemas dos Walker.

Mas era impossível sair dali com a informação que eu queria e deixar aquela situação daquele jeito. Eu não conseguiria virar as costas sabendo que Johnny poderia atacar Anabelle novamente assim que eu atravessasse a porta.

— Não vou fazer nada contra ele, Anabelle — garanti, tentando controlar minha voz. — Mas quero que você saia daqui.

— Você é quem deve sair. A casa é minha — ela respondeu sem gritar.

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