Olhei para os dois e respirei fundo:
— Eu sei que vocês não gostam da Brianna...
Não era minha intenção dizer que terminaria com ela. Por mais madura que Zoe parecesse para compreender determinadas situações, certos assuntos de adultos não deveriam ser discutidos com crianças de seis anos.
— Mas precisam ser educados — pedi.
Os dois não disseram nada.
— Ela fez alguma coisa ruim para vocês? Falou algo que não gostaram?
— Não — Maicon respondeu.
— Ela fez uma coisa horrível, papai... — Zoe disse tristemente, meneando a cabeça.
Senti meu coração acelerar:
— O que ela fez, Zoe?
Minha filha respirou fundo, como se estivesse prestes a revelar algo capaz de destruir a nossa família:
— Ela existe.
Fiquei olhando para Zoe alguns segundos. Depois respirei fundo e me perguntei como aquela menina tinha saído daquele jeito.
Enfim... o que quer que Jack tenha colocado na minha bebida naquela noite foi forte o suficiente para gerar os gêmeos mais perfeitos do mundo. E também os mais inteligentes.
— Existir não é uma coisa ruim, Zoe.
— Nesse caso, é.
— Zoe...
— Maicon não gosta que ela exista aqui — meu filho apoiou a irmã.
Ótimo. Eu havia perdido por dois votos contra um. E nem poderia pedir ajuda para a terceira adulta daquela casa, porque ela era justamente a pessoa cuja existência estava sendo discutida.
Meu telefone tocou. Era Pierce, o homem que começava a me ajudar a resolver as questões complexas que eu não conseguia solucionar sozinho.
Por incrível que parecesse, eu era ótimo em resolver fusões de empresas, analisar relatórios e tomar decisões corporativas envolvendo milhões. Porém, era péssimo para lidar com sentimentos, traumas, relacionamentos e duas crianças de seis anos planejando a expulsão silenciosa da minha quase ex-namorada.

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