POV Oliver
O trajeto até em casa foi feito em silêncio. Talvez Brianna tenha dito alguma coisa no caminho, mas eu não ouvi. Minha cabeça estava longe demais para compreender qualquer palavra.
Assim que estacionei diante da entrada principal, peguei Maicon no colo e encontrei Zoe praticamente adormecida no banco ao lado. Peguei-a também. Eu não sabia por quanto tempo ainda conseguiria carregar os dois daquela maneira. Torci para que, ao menos por mais uns cinco anos, pudesse continuar fazendo aquilo. Talvez fosse somente quando completassem onze anos que, para mim, deixariam de ser os meus bebês.
Quando abri a porta, empurrando-a com o pé, ergui os olhos para a escadaria. Todos os dias, quando chegava em casa, eu parava exatamente naquele lugar e esperava que ela descesse com nossos filhos.
Agora, meus filhos estavam comigo... nos meus braços. E ela... não estava mais ali. E jamais estaria novamente. Jaqueline estava com Adriel, em algum lugar, vivendo tudo aquilo que nunca viveu comigo.
Respirei fundo e tentei ignorar a dor absurda que esmagava o meu peito. Levei Zoe e Maicon para o quarto. Cada um possuía seu próprio quarto, mas eu sabia que eles sempre dormiam juntos.
Quando os coloquei na cama, um ao lado do outro, Maicon acordou e disse:
— Eu quero a mamãe.
Suspirei:
— Ela... foi para a casa dela.
— Aqui é a casa da mamãe — ele respondeu, com a voz baixinha.
Sim, aquela era a casa dela. Ou, pelo menos, deveria continuar sendo. Mas, graças a mim, não era mais.
Olhei para os olhinhos dele, que quase se fechavam novamente, e me perguntei se algum dia conseguiria explicar aos meus filhos tudo o que fiz com a mãe deles.
Eu sabia que nada justificava o que Jaqueline fez naquela noite, deixando-os para ficar com Adriel. Mas, ainda assim... eu não podia continuar me enganando. Eu praticamente a empurrei para os braços do primeiro homem que estivesse disposto a enxergá-la. Adriel foi rápido o suficiente para segurá-la... antes que eu sequer percebesse que não queria perdê-la.
Fechei os olhos por alguns segundos, tentando expulsar aqueles pensamentos enlouquecedores da minha mente.
— A mamãe... foi para a casa da Natália — tentei acalmá-lo. — E hoje é o dia de o papai ficar com Zoe e Maicon.
— Quero a mamãe — ele insistiu.
Peguei meu telefone. Foda-se se eu interrompesse a transa dela.
Eu jamais imaginei que Jaqueline desligaria o telefone. Mas... também nunca pensei que um dia ela se esconderia para não se despedir dos próprios filhos. Então, sinceramente, nada mais deveria me surpreender.
Eu poderia simplesmente dizer: “A mamãe desligou o telefone porque está namorando”. Mas ainda não era tão filho da puta a ponto de colocar aquela culpa sobre ela diante dos nossos filhos.
Olhei para o meu menino implorando pela mãe e depois para o telefone que ela não atendia. E... não soube o que fazer. Temi que Maicon tivesse uma crise de choro, que eu não conseguisse acalmá-lo, que ele percebesse que o pai não sabia fazer metade das coisas que a mãe fazia e...
— Quero o meu suco — ele disse.

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