— Jack, você desmaiou.
— Onde... você me encontrou? Quem avisou que eu tinha desmaiado? — perguntei.
— Eu percebi que você estava demorando demais. Então fui procurá-la. Como você não voltava, decidi entrar no banheiro e a encontrei caída no chão.
Quanto tempo eu tinha ficado desacordada? Parecia que os períodos de inconsciência estavam ficando cada vez maiores. E o médico já havia me alertado sobre aquilo. Ou seja, a doença realmente avançava depressa.
Meu coração perderia, aos poucos, a capacidade de manter um ritmo regular. As arritmias se tornariam cada vez mais frequentes, os desmaios durariam mais tempo e chegaria o momento em que os medicamentos já não conseguiriam controlar os sintomas. Eu sentiria mais cansaço, falta de ar e dores no peito, até que uma daquelas crises fosse forte demais e meu coração simplesmente parasse de bater.
Eu só não sabia quando aquilo aconteceria. Poderia ser dali a alguns meses, algumas semanas ou até mesmo no dia seguinte. A cada vez que perdia a consciência, existia a possibilidade real de eu não abrir os olhos novamente.
Peguei meu celular. Eu precisava ligar imediatamente para Zoe e Maicon. Senti meu mundo desabar quando percebi que o aparelho estava sem bateria.
— Preciso carregar o meu celular.
— Faremos isso depois que um médico examinar você.
— Leve-me para casa — pedi.
— Não.
— Por favor... — tentei manter a calma.
— Jack, você precisa entender... o que aconteceu foi...
— Eu já disse que quero ir para casa, porra! — gritei.
Adriel me olhou, completamente atordoado. Até eu mesma me assustei com a forma como agi.
Ele parou o carro no acostamento e segurou a minha mão:
— Acalme-se, Jack.
Abaixei a cabeça, envergonhada pelo que tinha acabado de fazer.
— Respire devagar...
— Estou bem... Eu só quero...


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