— Ainda não sabemos — Jaqueline respondeu no mesmo tom. — Mas ele aceitou provar. Isso já é importante.
Quando entrei naquele restaurante, sabia o que o meu filho não comia, mas não fazia ideia de como lidaria com aquela situação.
Entendi que, se a mãe deles não estivesse ali, talvez eu não desse conta de tudo e não conseguisse fazer com que ele ficasse satisfeito. Eles precisavam dela para muitas coisas. E eu, de certa forma, também precisava, porque ainda necessitava de ajuda com diversas situações relacionadas a Zoe e Maicon.
— A carne — Maicon apontou.
— O papai vai cortar — falei.
— Com a mamãe — Zoe lembrou.
— Zoe... — Jaqueline tentou impedi-la.
— Vocês prometeram. — ela disse, visivelmente frustrada.
Peguei a faca com a mão saudável. Jaqueline aproximou o prato de Maicon e segurou a carne com o garfo. Comecei a cortá-la, tentando ignorar o fato de que nossos braços se tocavam a cada movimento. E aquele simples contato provocava em mim a sensação de estar tocando o corpo inteiro dela.
Quando terminamos, Zoe empurrou o próprio prato na nossa direção.
— O meu também.
Jaqueline respirou fundo. Eu sabia que ela percebeu exatamente o que Zoe tentava fazer. Ainda assim, puxou o prato da nossa filha.
— Vamos cortar. — concordou.
Repetimos o processo. Nossos braços voltaram a se tocar. Em determinado momento, nossas mãos também se encostaram.
Ela afastou a dela imediatamente. Adriel parou de mexer no próprio prato. Brianna bebeu um longo gole de vinho. E Zoe sorriu. A pequena manipuladora sequer tentou disfarçar.
— Pronto — anunciei, devolvendo o prato.
— Obrigada, papai e mamãe.
— De nada — Jaqueline e eu respondemos juntos.
— Papai e mamãe são perfeitos! — Zoe prosseguiu. — Juntos.
O silêncio que veio depois foi tão desconfortável que até Maicon parou de comer e nos observou.
— A mamãe tem namorado — Brianna lembrou, com um sorriso aparentemente gentil.
— E o papai tem a prima da mamãe — Zoe respondeu. — Mas o papai e a mamãe continuam sendo o papai e a mamãe.
Ninguém conseguiu contestar aquilo, porque era verdade.
Independentemente de Brianna, Adriel, do divórcio ou de qualquer pessoa que aparecesse em nossas vidas, Jaqueline e eu continuaríamos sendo o pai e a mãe de Zoe e Maicon. Eles nos manteriam ligados para sempre.
Olhei para Jaqueline. Ela limpava delicadamente o canto da boca de Maicon com o guardanapo. Depois, afastou o copo para que ele não esbarrasse e reorganizou o prato exatamente como o nosso menino gostava.

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