— Eu corto — falei.
— A mamãe corta melhor — Zoe comentou.
— O papai consegue cortar uma carne, Zoe. — olhei para minha pequena casamenteira.
Ela olhou diretamente para a minha mão imobilizada:
— Com uma mão?
Olhei para a órtese. Depois, para a mão saudável. Eu não aceitaria aquela derrota:
— Claro que consigo.
— A mamãe pode ajudar o papai — Maicon sugeriu.
Adriel pigarreou do outro lado da mesa. Eu quase me esqueci de que ele ainda estava ali.
Brianna também permanecia em silêncio, observando tudo com um sorriso discreto e completamente forçado.
Naquele momento, ela e Adriel pareciam duas pessoas convidadas por engano para o jantar de outra família. E, sinceramente, aquela ideia não me incomodou nenhum pouco.
— Eu posso cortar a carne de Maicon — Jaqueline falou. — Você corta a de Zoe.
— Perfeito.
Fiquei em dúvida se conseguiria, afinal, naquele momento eu trabalhava com apenas cinquenta por cento da minha capacidade de corte.
— Não — Zoe protestou. — Os dois cortam juntos.
— Como vamos cortar juntos duas carnes diferentes? — perguntei.
— A mamãe segura e você corta.
— Zoe, isso não faz o menor sentido.
— Faz, sim.
— Eu tenho uma mão funcionando perfeitamente.
— E a mamãe tem duas — ela respondeu, como se aquilo explicasse tudo. — Então, juntos, vocês têm três.
Não encontrei nenhum argumento capaz de vencer aquela lógica. Jaqueline abaixou a cabeça e começou a rir. E o som da risada dela fez com que eu a observasse de uma forma diferente.
Eu escutei Jaqueline rir durante os sete anos em que fomos casados? Certamente, sim. Era impossível que ela nunca tivesse rido. Acontece que eu não conseguia me lembrar de nenhuma vez. Talvez porque nunca prestei a devida atenção.
— Então está decidido — Zoe concluiu. — Papai e mamãe cortam juntos.

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