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Adeus marido, seu amor nunca me pertenceu romance Capítulo 128

Gabriela soltou um suspiro, impaciente:

— Na pasta correspondente ao setor, evidentemente.

Acho que ela percebeu que sua resposta não havia me ajudado em nada. Mesmo assim, virou-se para ir embora.

— Gabriela...

Ela parou e olhou por cima do ombro.

— Eu ainda não tenho acesso a todas as pastas — lembrei.

— Então deveria ter solicitado — respondeu, com um sorriso sarcástico. — Uma secretária precisa se antecipar aos problemas, Jaqueline. Não esperar que outra pessoa resolva tudo por ela.

Mordi o lábio:

— Ontem... foi o meu primeiro dia.

— Eu sei. — Ela voltou a olhar para as planilhas espalhadas diante de mim. — Por isso estou dando a você uma tarefa bem fácil.

Gabriela se afastou antes que eu pudesse fazer outra pergunta.

Permaneci olhando para aqueles documentos, sem saber o que significava metade das informações. A tarefa certamente não era impossível. Qualquer pessoa com experiência conseguiria realizá-la. O problema era que eu não tinha experiência. Não possuía conhecimento e sequer tinha acesso ao arquivo de que precisava.

Ainda assim, Gabriela conseguiu fazer parecer que toda a dificuldade estava em mim.

Olhei ao redor. Todos trabalhavam concentrados, como se soubessem exatamente o que estavam fazendo e por qual motivo. Eu não sabia.

Pela primeira vez desde que chegara à A.A. Noire, tive a sensação de que Gabriela estava certa. Eu não havia conquistado aquele emprego por competência. Estava sentada naquela cadeira apenas porque Adriel queria me manter por perto.

Conseguir um emprego fazia parte da minha lista. Ser útil também. No entanto, naquele momento, diante de uma tarefa que eu sequer conseguia compreender, não me senti útil.

Senti-me apenas como o mesmo objeto esquecido dentro de uma vitrine... só que agora colocado em um cenário diferente.

Ou seja, estudar havia se tornado minha obrigação. Porque, se eu não fizesse isso, até poderia riscar o item “conseguir um emprego” da minha lista... mas jamais conseguiria riscar o “ser útil”.

Peguei a pasta e fui até a sala de Adriel. Bati duas vezes antes de entrar. Ele ergueu os olhos do computador e sorriu assim que me viu:

— Aconteceu alguma coisa, Jack?

Coloquei a pasta sobre a mesa dele:

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