Enquanto caminhava em direção ao carro, olhei ao redor. Jaqueline e Adriel realmente já tinham ido embora. A questão era: para onde?
Bem, não importava para onde eles tinham ido. Eu acabaria descobrindo.
Entrei no carro e, assim que liguei o motor, ouvi uma batida no vidro. Abaixei-o e perguntei a Niko:
— O que você esqueceu? Não tenho nada que seja seu.
— Você não irá atrás dela — Niko disse, sério.
— Não vou atrás dela. Vou atrás dos meus filhos.
— Não, você não vai! — Niko gritou. — Amanhã pela manhã, você irá buscá-los, e ponto-final. Foi isso que o juiz decidiu. Você armou esse circo todo e não vou permitir que manche a porra do meu nome! Eu me comprometi por você. Se não cumprir o que foi determinado, correrá o risco de perder o acordo e Jaqueline ficar definitivamente com as crianças. É isso que você quer, Oliver?
— Não — falei mais do que depressa.
— Vá para casa fumar o seu cigarro imaginário e tente se acalmar.
Respirei fundo. Niko tinha razão.
— Obrigado por... me alertar, Niko.
— Não faça com que ela se irrite, Oliver.
— Eu preciso proteger Jaqueline, Niko. Não vou permitir que Adriel a machuque.
— Você é o ex-marido, não o guarda-costas dela. Se Jaqueline pedir uma medida protetiva contra você, considere-se um pai sem nenhum tipo de guarda. Você tenta protegê-la, mas acaba se desprotegendo completamente.
— Não! — Quase gritei. — Isso sequer passa pela minha cabeça.
— Então trate de se controlar.
Dei a partida no carro e arranquei, deixando Niko para trás. Dirigi de forma automática até em casa. Assim que entrei, senti minha cabeça latejar tão forte que cheguei a ficar tonto. Eu precisava tomar um analgésico antes que aquela dor piorasse.
Sentei-me no sofá antes de fazer qualquer outra coisa. Fechei os olhos e tentei relaxar. Mas tudo o que eu conseguia fazer era ouvir, dentro da minha cabeça, o som de Zoe e Maicon descendo as escadas correndo e gritando: “Papai, papai”. E Jaqueline vinha atrás deles. Ela nunca dizia nada. Mas estava sempre ali.
Acontece que não havia vozes. Tampouco uma mãe atrás deles. E, mesmo que, no dia seguinte, Zoe e Maicon descessem as escadas gritando por mim, porque seria o meu dia de ficar com eles... nunca mais haveria Jaqueline e seu silêncio logo atrás dos dois.
Ouvi o som da porta se abrindo, e meu coração acelerou. Abri os olhos rapidamente. Mas não era Jaqueline voltando com as crianças depois de buscá-las na escola. Era Brianna.
Ela sorriu e veio até mim. Jogou a bolsa sobre o sofá, sentou-se ao meu lado e deitou a cabeça em meu peito. O aroma que vinha de seus cabelos era do perfume capilar Good Girl Hair Mist, comercializado por Carolina Herrera. A Diamond produzia aquele perfume. Era o mais famoso do mercado naquela linha.
Alisei seus cabelos, tentando finalmente relaxar. Então, depois de alguns segundos em silêncio, perguntei:
— Por que você contou a Jaqueline que sabia que ela me dopou?

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