— Que porra aconteceu lá dentro, Oliver? — Niko quis saber, enquanto tentava me alcançar com passos largos.
— Elas tinham argumentos que poderiam nos destruir. — Falei a primeira coisa que me veio à mente.
— “Elas” tinham bons argumentos? — Ele parecia furioso. — Acha mesmo que o juiz consideraria uma traição pior do que expor as crianças à convivência com uma família de dependentes químicos?
— Fiquei satisfeito com a decisão. — Continuei andando, sem diminuir o ritmo.
Niko agarrou meu braço e me segurou, impedindo que eu continuasse:
— Se está satisfeito em compartilhar a guarda de Zoe e Maicon, por que, porra, me pediu que participasse desse circo?
— Eu mudei de ideia. Simples assim.
— Quantas malditas vezes você mudou e ainda pretende mudar, Oliver?
Ficamos nos encarando. Eu realmente não sabia quantas vezes havia mudado de ideia desde que tudo aquilo começou. Mas tinha certeza de que ainda mudaria muitas outras vezes. O motivo era simples: eu já não tinha certeza de mais nada.
— Eu... não quero que Jaqueline fique longe das crianças — tentei justificar.
Aliás, eu não estava tentando justificar coisa alguma. Era aquilo que realmente pensava.
— Oliver, eu mesmo disse que não achava justo você querer a guarda permanente de Zoe e Maicon. Ainda assim, você insistiu. Por que não deixou tudo como estava? Por que se expôs e nos colocou no meio de toda essa situação?
— Você defendeu Jaqueline desde o início. Por que mudou de ideia agora, Niko?
— Porque eu detestei a advogada dela.
— Natália? — Franzi a testa. — Por que você detestou Natália? Ela é completamente insignificante.
— Ela pode ser qualquer coisa, menos insignificante.
Arqueei uma sobrancelha:
— Estamos falando... de questões profissionais, não é mesmo, Niko?
— De quais outras questões estaríamos falando?
— Se são questões profissionais, ela é insignificante — reiterei.
— E em questões... pessoais?
— Ela continua sendo insignificante.
— Natália Still não é ruim. — Niko tentou convencer-se.
— Em momento algum ela esteve sequer perto de se sair tão bem quanto você, Niko. Não estou entendendo aonde pretende chegar com isso.
— Estou tentando chegar... ao fato de que Natália Still é intragável. Acho que, em breve, deveremos voltar a discutir o pedido de guarda permanente.
— Para que você possa reencontrá-la diante do juiz? — Quase ri.
— Claro que não, seu idiota.
— Não vou deixar você usar os meus filhos como desculpa para marcar um encontro com a advogada de Jaqueline.
— Não é isso! — Ele se irritou ainda mais. — Você está entendendo tudo errado.
— Convide-a para sair. É bem mais simples. Vocês nem precisam estudar previamente sobre o que falar, muito menos procurar argumentos ou qualquer outra coisa do tipo.

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