Achei que Jaqueline abriria aquela cabine a qualquer momento. E eu não tinha a mínima noção do que diria a Brianna quando fosse descoberto ali.
Mas não ouvi nenhum som de passos se aproximando pelo mármore. Somente aquele silêncio maldito, pesado o bastante para me deixar ainda mais inquieto.
— Vou deixar que Oliver descubra sozinho o tipo de pessoa que você é — disse Jaqueline.
— Oli me ama, Jaqueline. E... eu entendo toda a sua insegurança em relação às crianças. No seu lugar, eu provavelmente agiria da mesma forma.
— É exatamente por esse motivo que ele está cego. Porque ama você. Acontece que ninguém permanece cego para sempre. Eu mesma consegui me curar de uma cegueira que durou quinze anos. Mais cedo ou mais tarde, Oliver também abrirá os olhos.
— Por que você é assim? Não podemos manter uma relação civilizada? Eu não entendo porque ainda se importa com Oli, sendo que está dormindo com Adriel.
Cerrei os punhos e olhei para meus dedos enfaixados. A dor provocada pelo movimento me fez respirar fundo e me conter. Quebrar a mão inteira definitivamente não era uma opção.
— Estou divorciada. Durmo com quem eu quiser.
— Espero que não tenha dopado Adriel.
Engoli em seco. Jaqueline demorou alguns segundos para reagir, e o silêncio dela me incomodou ainda mais do que qualquer resposta imediata.
— Ele contou mais o que a você, Brianna? Oliver também contou que, na única vez em que me tocou por vontade própria, estava bêbado? E que, na segunda, estava drogado? Foram apenas duas vezes. Ou seja, durante sete anos de casamento, ele praticamente foi fiel a você.
Brianna não respondeu. E... o que ela poderia dizer diante daquilo?
Por que tudo parecia tão ridículo quando dito em voz alta? Por que cada palavra que saía da boca de Jaqueline atravessava meu peito como uma lâmina afiada?

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