Isaías aproximou-se de Lurdes, segurando sua mão para conter o leve tremor de seu corpo.
Isaías olhou para o promotor.
O promotor assentiu e continuou.
— Certo. Vamos deixar de lado por um momento o fato de que você matou o Sr. Felipe e a Sra. Iracema. Agora, vamos falar de outro assunto: a morte de Joana.
Lurdes ergueu a cabeça bruscamente.
Seus olhos incrédulos fixaram-se no promotor.
Ela sentiu um impulso de correr até ele, de gritar, de exigir respostas.
Mas foi abraçada por Isaías.
Isaías sentiu o tremor violento de Lurdes e sussurrou.
— A justiça será feita. Não se apresse. Você terá sua chance de vingança.
Miguel sorriu.
— A morte da minha esposa? Minha esposa, desde que deu à luz nossa filha, sofreu com complicações do parto e sua saúde nunca mais foi a mesma. Durante anos, procurei os melhores médicos, gastei uma fortuna para que ela vivesse mais tempo.
— Mas, alguns anos atrás, seu corpo finalmente cedeu. Em meio à nossa tristeza, minha e de minha filha, ela nos deixou. Eu, Miguel, nesta vida, posso ter falhado com qualquer um, mas com minha esposa, eu fui irrepreensível!
O promotor curvou os lábios.
— Entendi. Entendi. Hoje, o Sr. Mendes trouxe vocês dois aqui para contar histórias, para nos envolver em todo tipo de contos bizarros e vergonhosos, para nos humilhar publicamente.
— As histórias que vocês contam são realmente cativantes, fazem o sangue de quem ouve ferver. Mas e daí? Os protagonistas de suas histórias não somos nós. As coisas que vocês dizem, nós não fizemos. Um promotor que baseia suas acusações em meras histórias? Isso é a maior piada de todas.
— O modo como eu tratava minha esposa, todos os vizinhos de Jardim sabem. Eu a carregava na palma da mão. Mesmo que não houvesse amor entre nós, ela era minha amiga de infância, como uma irmã para mim. Como eu poderia lhe fazer mal?
— E Lurdes, ela é minha única filha. Eu a protegi de tudo, a mimei. A pessoa que ela é hoje, a situação em que se encontra, é culpa dela mesma. Eu já disse, se Lurdes se curvasse, a porta da família Sousa estaria sempre aberta para ela. Um pai, um ancião, que faz tanto, acho que já é o suficiente, não?
O promotor ignorou as acusações de Miguel.
— Como eu disse antes, não há crime perfeito. As substâncias que você adicionava aos remédios de Joana, você as comprou de fora. Mas toda compra e venda envolve pelo menos duas partes. Você pode ser teimoso, mas a outra parte talvez não seja.

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